Há sempre uma corrida contra o envelhecimento, a busca por parecer mais jovem e ter um corpo e rosto em harmonia com o padrão estético vigente.

Para alcançar estes objetivos, muitas pessoas recorrem a cirurgia plástica. Pessoas de todas as idades, dos 16 aos 60 anos, costumam se submeter a estes procedimentos para conseguir o rosto e corpo que desejam. Muitas vezes, há uma busca sem limites, que cria uma aparência artifical e até mesmo assustadora. "A maioria das pessoas que passa do ponto faz isso para atrair mídia, chamar atenção, ou então realiza este procedimento com um cirurgião que não é plástico. Não é ético realizar um procedimento que prejudique o paciente. Por exemplo, o cirurgião sabe que fazer um implante de silicone com mais de um litro vai trazer dores na coluna e outras consequências, então tem que alertar a paciente de que esta cirurgia não trará benefícios", destaca o cirurgião plático Marcus Hubaide. O médico ressalta que as "aberrações" surgem quando alguma cirurgia não indicada é feita ou mesmo pelo excesso de preenchedores faciais permanentes.

Ele explica que uma avaliação detalhada é feita antes da cirurgia, até para que o cirurgião possa entender bem quais são os anseios da paciente e mostre o que realmente é possível fazer. Há vários fatores que influenciam no resultado da plástica, como a anatomia da pessoa, a estrutura óssea, a genética e os hábitos de vida que a paciente leva. "É preciso ser bem honesto e passar a expectativa real para que o paciente não fique insatisfeito, já que há um limite de resultado. Se não for beneficiar a paciente ou se o resultado não trouxer muita diferença, deixo de fazer", afirma. Dr. Marcus começa a ver uma mudança de hábitos entre as mulheres. Elas estão cada dia mais exigentes com o corpo, porém não buscam na cirurgia plástica a única maneira de manter o corpo em dia. Elas já cuidam da alimentação e fazer exercícios físicos para se manter em forma, porém procuram as plásticas para melhorar o resultado que conseguem com hábitos de vida saudáveis, como gordura localizada, por exemplo. "A cirurgia é uma tentativa de melhorar a autoestima, de estar completamente feliz com sua aparência. As mulheres não procuram a cirurgias porque estão se sentindo feias, mas sim porque querem ficar ainda mais bonitas", conta.

A faixa etária que mais costuma fazer cirurgias voltadas para o corpo está entre 22 e 40 anos de idade, e a que mais procura cirurgias faciais está entre 50 e 60 anos. Para o especialista, hoje as jovens de hoje poderão ter uma pele menos envelhecida quando chegarem a esta faixa etária. "Um dos maiores avanços contra o envelhecimento é o protetor solar. O envelhcimento era muito maior nas gerações anteriores pela falta de filtro solar. O mal desta geração é o estresse, que também envelhece". Ele cita o botox como um procedimento que pode ser um aliado da mulher para prevenir rugas na testa e pés-de-galinha, pois a substância paralisa o excesso de movimentos estas regiões. "O botox não deixa o rosto duro, ele não é o vilão. O que tira a expressão das pessoas é o excesso de preenchedores permanentes", reafirma.

Mais comuns

"Por alguns anos, o implante de silicone estve na frente, mas hoje a cirurgia plástica mais comum no mundo é a lipoaspiração, ou lipoescultura", afirma Marcus. Em seu consultório, além da mamoplastia de aumento (prótese de silicone), ele costuma atender mulheres que querem justamente o oposto, a mamplastia redutora. A abdominoplastia - plástica no abdôme - é muito pedida também e corrige a flacidez abdominal que muitas pessoas enfrentam, principalmente após ter filhos ou perder muito peso. Quanto às cirurgias faciais, as mais comuns são a rinoplastia e o rejuvenecimento facial (lifting facial). Uma cirurgia que teve um aumento impressionante nos últimos anos é a gluteoplastia, o implante de silicone nos glúteos. "Geralmente é feita por pessoas que perderam muito peso ou então que realmente têm o bumbum muito pequeno. Havia um mito de perigo em torno desta cirurgia, mas agora ela se popularizou. Se for bem feito, o resultado é excelente e imperceptível", afirma dr. Marcus. Outra cirurgia que cresce a cada ano é o rejuvenescimento vaginal, chamado de ninfoplastia, que é bastante comum no pós-gravidez e entre mulheres que possuem os pequenos lábios muito grandes.

Plástica também pode ser reparadora

Embora a cirurgia plástica seja muito utilizada para questões puramente estéticas, elas também podem ser reparadoras. "O cirurgião tem treinamento para fazer as cirurgias reparadoras, que podem ser usadas no caso de deformidades, pele queimada, reconstrução e reimplante", explica o cirurgião plástico Marcus Hubaide.

Na verdade, a cirurgia plástica como especializada médica oficiar sugiu na Primeira Guerra Mundial justamente para este finalidade. A guerra, que envolveu diversas potências econômicas da época, matou milhares de pessoas e deixou milhares de mutilados ou deformados. Surgiu aí uma grande demanda que estava em busca de procedimentos que pudessem reconstruir ou reparar danos causados pela Guerra. De acordo com o site da Sociedade Brasileira de História da Medicina, foi neste momento em que percebeu a ncessidade de formar profissionais que estivessem especializados nas reparações corporais. Assim, esta especialidade passa a existir oficialmente, embora já haja registro de cirurgias reparadoras desde o Egito Antigo.

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