Fui convidado para discursar na inauguração do Espaço do Ser, no dia 2l de maio. A proposta do lugar é trabalhar com arte, cultura e saúde, entre atendimentos e cursos, seguindo o modelo de casas renomadas do eixo Rio/São Paulo. Suas criadoras, poetisas e minhas amigas, Nadja Voss e Rita Santilli, insistem em que me alie ao projeto, dando aulas de oratória.

O novo empreendimento situa-se na rua Uruguai, na casa que abriga a Biblioteca Professor Geraldo Francisco Beduschi Luz, do Colégio Vale do Itajaí, o Pontinho Estudantil. Gasparense e meu primo - mais que primo irmão, segundo ele - marcou a cidade como poeta, professor de história e jornalista.

Não coloquei no papel a minha fala, portanto evitei o "improviso escrito". Mais ou menos o que disse, segue abaixo:

"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida..." constatou Vinícius de Moraes em uma de suas infinitas e eternas canções. Quem teve aulas comigo, não estranha a minha admiração pelo chamado "Poeta das mulheres" ou carinhosamente batizado como "poetinha". Cito-o também porque em 2013 comemora-se o centenário de seu nascimento. Ele nos deixou no ano de 1980, há exatos 33 anos, a idade de Cristo. Vale lembrar que, apaixonado pelo diminutivo, usava a expressão "Jesus Cristinho".

Admiro demais o teatro e a música - e cuide-se da saúde! - mas a minha praia, como professor de português, chama-se literatura. A linguagem figurada - figuras de palavras, de estilo, de construção e de pensamento - permite a criação de textos primorosos.

Se todo mundo dissesse que a lua é redonda como uma bola, cultivaríamos a mesmice total, feijão com arroz todo santo dia. Mas o poeta entra em cena: Patativa do Norte exclamou: "A lua é um disco em que o Criador gravou uma canção". Comparação de primeira água.

Observem como o cancioneiro popular brasileiro, a MPB, contribui para embelezar os textos literários. Manuel Bandeira considerava "tu pisavas nos astros distraída" o verso mais lindo da língua portuguesa. Não o achou em livro de literatura consagrada. E sim na canção Chão de estrelas, de Orestes Barbosa e Sílvio Caldas. Composição que muitos consideram o verdadeiro hino nacional.

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