Santiago Peña chegou a renunciar ao cargo, mas o Senado decidiu levar adiante o processo de impeachment

O Senado do Paraguai aprovou, nesta sexta-feira, dia 6, o impeachment do presidente Santiago Peña por unanimidade. Dos 45 congressistas, 44 estavam presentes e votaram a favor da destituição, um dia depois de a Câmara dos Deputados já ter autorizado o processo.

A votação ocorreu mesmo após Peña ter apresentado um pedido de renúncia. O Congresso, no entanto, optou por seguir com o impeachment, em parte para retirar do presidente o foro privilegiado vitalício e permitir o avanço das investigações e das responsabilidades políticas.

Crise bancária pressionou o governo

A sessão extraordinária foi convocada em meio à crise provocada pela quebra do Ueno Bank, o maior banco digital do país. A instituição tinha cerca de 3 milhões de clientes, número equivalente a quase metade da população paraguaia, estimada em 7 milhões de habitantes. O dinheiro dos correntistas, muitos aposentados, está retido. No final da tarde, a instituição bancária informou que irá liberar o dinheiro dos correntistas por partes. Na primeira leva, serão quase 7 bilhões de guaranis, o equivalente a R$ 14 milhões.

Peña assumiu o governo em 2023 e, até março de 2025, foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank. A relação com a instituição passou a ser um dos principais pontos de desgaste político e alimentou suspeitas sobre conflito de interesses.

As acusações apresentadas ao Congresso

O libelo acusatório protocolado por 35 deputados aponta, entre outros pontos, a participação de Peña no Ueno Holding e a nomeação de Carlos Carvallo, ex-presidente da Financeira Ueno, para o comando do Banco Central do Paraguai. Para os parlamentares, a escolha feriu o dever de proteger o interesse público.

O documento também afirma que o presidente teria impulsionado mudanças na lei de conflitos de interesses e permitido que centenas de bilhões de guaranis do IPS fossem concentrados no Ueno Bank acima dos limites previstos pela legislação vigente.

Pedro Alliana deve assumir a Presidência

Com o afastamento de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai. Ele também havia sido alvo de um processo de impeachment, mas a iniciativa foi rejeitada na Câmara na quinta-feira.

O único senador ausente na votação foi Enrique Riera, que havia renunciado ao cargo de ministro do Interior. Ele foi o responsável por levar ao Congresso a carta em que Peña comunicava a intenção de deixar o governo, pouco antes da confirmação da sua própria saída do ministério.

Segundo presidente eleito destituído desde a redemocratização

Santiago Peña se torna o segundo presidente eleito democraticamente no Paraguai a ser destituído pelo Congresso desde o fim da ditadura de Alfredo Stroessner, que durou de 1954 a 1989. O único precedente pós-redemocratização havia sido Fernando Lugo, afastado em 2012 após o confronto de Curuguaty, que deixou 17 mortos.

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