Prorrogação do prazo de votação pode ser o início de um processo de judicialização do resultado da eleição

A eleição presidencial pode não ter terminado na noite deste domingo (25). O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado, não reconheceu o resultado das urnas, apesar da diferença de mais de 4,4 milhões de votos a favor de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

A justificativa seria a prorrogação do horário de votação eleitoral, decidida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, que atendeu um pedido de ambas as candidaturas, incluindo a da campanha de Flávio. O PT fez o pedido mais cedo, por volta das 15h, depois que começaram a surgir denúncias da falta de transporte coletivo gratuito em algumas cidades do país, entre elas Salvador-BA. Já a campanha de Flávio Bolsonaro solicitou a prorrogação do horário em função das chuvas que atingiram alguns estados, principalmente o Rio Grande do Sul.

"É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Vamos usar nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições. A gente não está aqui para brincadeira. Não vou aceitar que essa regra tenha mudado em cima do jogo. Mais uma vez, pelos amigos do Lula do Supremo Tribunal Federal", afirmou Flávio em comunicado à imprensa ao lado de aliados, na frente de seu QG de campanha, em Brasília", afirmou Flávio Bolsonaro.

Segundo ele, os acontecimentos do segundo turno foram inaceitáveis. 

"O que aconteceu hoje não foi algo normal. Foi algo, inclusive, inaceitável. Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula, dá uma canetada, a pedido de um ex-sócio dele, e muda a regra do jogo no meio do jogo. Às 17h01, o ministro Zanin, que não faz parte do Tribunal Superior Eleitoral [TSE], atropelando a justiça especializada, toma uma decisão prorrogando por duas horas as eleições. Isso nunca tinha acontecido na história do Brasil. Houve uma quebra total de isonomia entre os brasileiros de diversas cidades e diferentes estados. Eu nunca vou saber se num estado onde as urnas não foram reabertas quantos votos eu poderia ter. É inexplicável ter acontecido o que aconteceu", disse o candidato.

Sem fazer menção aos mais de 59 milhões de votos recebidos, Flávio Bolsonaro encerrou o pronunciamento sem responder às perguntas dos jornalistas.

Cristiano Zanin tomou a decisão sobre a prorrogação do horário de votação, até às 19h, em caráter de urgência, considerando graves os relatos de dificuldades no transporte de eleitores, especialmente em cidades da Bahia e na cidade de São Paulo.

A determinação, porém, foi anunciada próximo das 17h, horário previsto para o encerramento da votação. Na primeira decisão, Zanin estabeleceu a extensão do prazo em todas as seções eleitorais do país. Todavia, a informação não chegou a todas as zonas eleitorais, e a maioria encerrou a votação às 17h.

Após receber essa nformação do TSE, o ministro afirmou que a prorrogação deveria ser aplicada somente às seções que ainda estavam abertas.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, orientou os tribunais regionais a manterem essas seções em funcionamento até as 19h. Os votos registrados nas urnas já encerradas seriam computados normalmente.

SIGA O JM NAS REDES:

Google News Google News Google News Google News

Tags

  • eleições 2026
  • Flávio Bolsonaro
  • Lula reeleito