Denúncia de sexo e venda de drogas ilícitas na Praia da Galheta vão passar por audiência pública

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19/06/2026 15:38
DENÚNCIAS

Denúncia de sexo e venda de drogas ilícitas na Praia da Galheta vão passar por audiência pública

Por Alexandre Melo

 Publicado 19/06/2026 15:21  – Atualizado 19/06/2026 15:38

Desde a década de 1980, a Praia da Galheta é reduto de naturismo em SC
  • Desde a década de 1980, a Praia da Galheta é reduto de naturismo em SC (Fotos: Por Papa Pic - https://www.flickr.com/photos/oscarfava)

O debate foi motivado por denúncias de prática de sexo e consumo de drogas na praia que, por lei, é de naturismo

As denúncias de sexo em plena luz do dia, venda e consumo de drogas ilícitas nas trilhas que levam à Praia da Galheta, no Leste da Ilha de Florianópolis, vão ser debatidas em audiência pública na Câmara Municipal da capital. O pedido foi protocolado pelos vereadores Rafael de Lima (PSD), Ricardo Pastrana (PSD), Manu Vieira (PL), Claudinei Marques (Republicanos) e João Padilha (PL).

Segundo os parlamentares que protocolaram o pedido, o objetivo é reunir autoridades, moradores, representantes da sociedade civil e órgãos públicos para debater situações que vêm sendo relatadas por frequentadores da região. Conforme os vereadores, as denúncias são especialmente relacionadas à ocorrência de atos de cunho sexual nas trilhas que dão acesso à praia.

Vereadora Manu fez a denúncia no plenário

Em março deste ano, a vereadora fez a denúncia na tribuna da Câmara Municipal da Capital
  • Em março deste ano, a vereadora fez a denúncia na tribuna da Câmara Municipal da Capital (Fotos: REDE SOCIAL MANU VIEIRA)

No começo de março deste ano, a vereadora Manu Vieira fez um pronunciamento contundente na tribuna do legislativo da capital, inclusive apresentando imagens, denunciando a prática de sexo ao ar livre e consumo de drogas num dos mais agrestes paraísos de Florianópolis, fato que repercutiu nacionalmente. “Tive a infelicidade de flagrar pelo menos sete pessoas em atividades ilícitas e o que encontrei lá, senhores, foram guarda-vidas com medo de fazer o seu ofício”, afirmou, na ocasião, a parlamentar. Manu também revelou que profissionais, como guarda-vidas, são ameaçados e assediados diariamente. “Havia serviços sendo vendidos digitalmente, inclusive com a oferta de drogas ilícitas", apontou.

No requerimento, os parlamentares argumentam que existe uma diferença entre a prática do naturismo, permitida na Praia da Galheta, e comportamentos considerados ilegais em áreas públicas de circulação. Entre os pontos, o documento cita relatos de pessoas que afirmam ter presenciado atos obscenos ao longo das trilhas utilizadas por turistas, esportistas e famílias.

O que está sendo discutido?

Na justificativa para o pedido de audiência, os vereadores afirmam que não pretendem debater o fim do naturismo na Galheta, mas uma maior fiscalização de possíveis práticas ilegais. Eles defendem que as trilhas sejam espaços seguros para qualquer pessoa que queira acessar a praia, independentemente da idade ou perfil dos visitantes. O requerimento também pede a presença de órgãos como a Guarda Municipal, Polícia Militar e Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram) para apresentar diagnósticos e possíveis soluções para o local. "A trilha é um acesso importante para a praia e precisa ser um espaço seguro para moradores, trabalhadores e visitantes".

Entenda a história da Praia da Galheta

A Praia da Galheta é uma das mais preservadas de Florianópolis e está localizada entre a Praia Mole e a Barra da Lagoa. Sem acesso por carros e cercada por costões e vegetação nativa, a praia se tornou conhecida nacionalmente por ser um dos principais espaços de naturismo do Brasil, desde a década de 1980.

Em 1997, Florianópolis reconheceu oficialmente a área como espaço destinado à prática do naturismo por meio de legislação municipal. Desde então, a nudez, desde que de maneira respeitosa, passou a ser oficialmente permitida no local, embora nunca tenha sido obrigatória. Ou seja, frequentadores podem optar por permanecer vestidos ou nus.

Ao longo dos anos, a praia ganhou fama pelas belezas naturais, trilhas ecológicas e ambiente de preservação ambiental. O local também se consolidou como um importante ponto turístico da Capital catarinense. Desde 2024, a Prefeitura de Florianópolis vem tentando aprovar um Plano de Manejo do Monumento Natural Municipal da Galheta, que inclui a prática do nudismo dentro de regras específicas, pois, embora o naturismo já seja praticado no local há mais de 40 anos, não existe uma legislação específica. A polêmica divide adeptos do naturismo e alguns moradores e visitantes da região contrários ao tema. A praia está na lista da Federação Brasileira de Naturismo (FBrN) e recebe turistas de todo mundo.

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  • Em março deste ano, a vereadora fez a denúncia na tribuna da Câmara Municipal da Capital (REDE SOCIAL MANU VIEIRA)

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