A frase é do presidente do diretório estadual, deputado Carlos Chiodini, em mensagem a lideranças e filiados do partido em SC

Em mensagem escrita enviada a todas as lideranças e filiados do MDB de Santa Catarina e à imprensa, o presidente do diretório estadual, deputado Carlos Chiodini, faz uma dura reflexão sobre o caminho adotado pelo partido nos últimos anos e alerta para o risco de fragmentação. Diz ainda que o partido precisa voltar a ser protagonista, retomar o seu espaço no cenário político catarinense e lembra que o MDB sempre foi grande porque pensava grande, porém, os números recentes mostram uma realidade que não pode ser ignorada.

“Em 2018, ficamos fora do segundo turno do Governo do Estado. Em 2022, novamente não chegamos ao segundo turno. O reflexo foi direto: redução das nossas bancadas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, perda de espaço político e enfraquecimento da nossa capacidade de liderar Santa Catarina. Diante disso, o caminho natural seria a reconstrução com protagonismo: retomar o nosso espaço, organizar o partido, fortalecer lideranças e preparar o MDB para voltar à majoritária, mas não como coadjuvante”, disparou.

Chiodini também ataca o atual governo estadual por ter preterido o MDB numa futura composição eleitoral em 2026. “Após sermos preteridos pelo atual Governo no início deste ano, o que se vê não é a firmeza esperada, mas uma inércia perigosa. Assistimos a um movimento conduzido por quem, até ontem, não tinha compromisso com a nossa história. Tenta-se empurrar o MDB para uma aliança subordinada, baseada em interesses pontuais e promessas de suplência, ignorando a grandeza de uma sigla que foi o alicerce deste Estado.

Para o presidente do partido, o MDB possui uma capacidade histórica e inegável de liderar Santa Catarina. “O MDB não nasceu para ser figurante, nem para aceitar migalhas ou servir de linha auxiliar a um governo que não nos respeita”, disparou.

Chiodini afirmou, ainda, que enquanto for presidente, essa submissão não terá espaço, pois o seu compromisso é com a lealdade partidária, não com a conveniência própria.

O presidente do maior partido de Santa Catarina, com 60 anos de história, convocou as lideranças e filiados a reagirem. “Temos tamanho, capilaridade e liderança para disputar o topo. Vamos respeitar os diretórios municipais que escolheram um projeto real de coalizão com o PSD e a União Progressista. O alerta é claro:

se não lutarmos hoje, o futuro será a irrelevância e conclui: “Ou o MDB volta a ser grande, ou aceitará, pouco a pouco, a irrelevância. Essa é a escolha que está diante de todos nós”.

Leia, abaixo, a carta na íntegra

"Caro amigo emedebista,

Chegou a hora de falar com clareza, sem rodeios e sem medo. O momento que o MDB de Santa Catarina atravessa exige coragem, não silêncio. Em 1999, filiei-me ao PMDB com apenas 17 anos. Não foi um movimento oportunista; foi uma escolha de vida. De lá para cá, enfrentamos batalhas duras, disputamos eleições difíceis, ajudamos a construir governos e fomos protagonistas em momentos decisivos do nosso Estado.

O MDB sempre foi grande porque pensava grande. Mas os números recentes mostram uma realidade que não pode ser ignorada. Em 2018, ficamos fora do segundo turno do Governo do Estado. Em 2022, novamente não chegamos ao segundo turno. O reflexo foi direto: redução das nossas bancadas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, perda de espaço político e enfraquecimento da nossa capacidade de liderar Santa Catarina.

Diante disso, o caminho natural seria a reconstrução com protagonismo: retomar o nosso espaço, organizar o partido, fortalecer lideranças e preparar o MDB para voltar à majoritária, mas não como coadjuvante. Após ser esnobado e preterido pelo atual Governo no início deste ano, o MDB, em vez de se posicionar com firmeza, assiste à construção de um movimento conduzido por pessoas que, até ontem, não tinham qualquer compromisso com a nossa história.

Um movimento que tenta empurrar o partido para uma aliança subordinada, baseada em interesses pontuais, como uma eventual suplência ao Senado, e não em um projeto real que respeite o tamanho de uma sigla que ajudou a construir Santa Catarina. Isso não é estratégia. Isso é apequenamento. É preciso dizer com todas as letras: o MDB não nasceu para ser figurante. Não nasceu para aceitar migalhas. Não nasceu para ser linha auxiliar de um governo que não nos respeita, não na minha gestão como presidente.

Quero deixar claro: se estivesse pensando em um projeto pessoal, já teria ocupado espaços, cargos ou feito qualquer composição conveniente. Caminhos não faltaram. Porém, nunca foi esse o meu compromisso. Tenho uma trajetória de lealdade ao partido, não de conveniência pessoal. O que está acontecendo hoje é grave.

Aos 60 anos, o MDB de Santa Catarina corre o risco de se transformar em um partido fragmentado, de decisões isoladas, onde interesses individuais se sobrepõem ao projeto coletivo. Um partido que deixa de liderar para apenas acompanhar. Precisamos reagir. O MDB tem tamanho, história, capilaridade e liderança para disputar a majoritária. Vamos respeitar os diretórios municipais que decidiram estar em um projeto de verdade, que votaram a favor de compor a chapa com PSD e União Progressista.

Aos líderes partidários que promoveram o episódio de ontem, deixo um alerta: se não enfrentarmos esta batalha hoje, em dois, quatro, seis anos, não teremos nada para disputar. Ou o MDB volta a ser grande, ou aceitará, pouco a pouco, a irrelevância. Essa é a escolha que está diante de todos nós.

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