Morador do Bateias, junto com a esposa Nair, trabalhou duro para superar as dificuldades

Se tem algo que Sabino Sansão guarda muito bem na memória são datas. E boa parte delas tem relação com o número 7. Ele casou com Nair Zancanela em 17 de dezembro de 1977, às 17horas. Neste dia, além do casamento dele com Nair, outros sete foram celebrados. Na época, Sabino tinha 27 anos e Nair apenas 18. No dia 7 de julho de 1982, Sabino foi admitido na Cia Hering, em Blumenau. "A empresa abriu sete vagas, uma foi para ele". No dia 7 de julho de 1995, ele cumpriu seu último dia de expediente. Sabino também trabalhou por sete anos na empresa de fumo Souza Cruz, em Blumenau.

O ex-agricultor e ex-trabalhador da indústria, morador do bairro Bateias, não sabe exatamente o motivo da relação com o 7, mas acredita que o número lhe traz sorte. "Muitas das coisas boas que me aconteceram foram em datas com o número 7", revela. Nascido no Bateias, Sabino foi criado na roça. É o filho mais jovem de quatro do casal Vitório Pedro Sansão e Isabel Parma Sansão Os outros são Maria, Cláudia e Paulo (falecido). Vitório plantava de tudo um pouco, mas o forte era o fumo.

Ele foi o primeiro plantador de fumo da Souza Cruz. E aí começa a relação entre as famílias Sansão e Zancanela, que mais tarde viriam a se unir pelo casamento de Sabino e Nair. Vitório e José, futuro sogro de Sabino, plantaram fumo juntos quando eram jovens. Nesta época, conta Sabino, Nair ainda não era nascida e ele uma criança de dois anos. "Eu lembro do meu futuro sogro me carregando no colo", diverte-se Sabino.


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foto: arquivo pessoal/Sabino e Nair casaram em 17 de julho de 1977


Muitos anos depois, o destino uniria de vez as famílias. Sabino foi trabalhar na Linhas Círculo e lá um primo de Nair comentou sobre ela. "Ele disse-me que tinha uma prima muito bonita", recorda Sabino, que se interessou em conhecer a moça, porém, não chegou a encontrá-la na empresa porque trabalhavam em turnos diferentes. Ele permaneceu apenas dois meses na fábrica de linhas e pediu a conta para voltar a trabalhar na roça. Meses depois, num domingo anterior à festa de Santo Antônio, o santo casamenteiro, Sabino enfim conheceu a moça que tanto ouvira falar. E realmente, admite ele, "era muito bonita". A mãe de Sabino, inclusive, já era comadre da família Zancanela.

Dona Isabel apresentou o filho a Nair. "Eu perguntei se ela ia na festa de Santo Antônio, no domingo seguinte. Ela disse-me: - não sei, se meus pais forem, eu vou. Naquela época era assim, os pais tinham que ir junto", relembra Sabino. E Nair foi. Lá conheceu melhor o jovem pretendente e um ano depois subiram ao altar da Igreja Matriz São Pedro Apóstolo. Neste ano, completam 44 anos de um casamento feliz, cujo fruto deste amor são os filhos Sandra, Mariana, Márcio e Juliana.

Depois de casados, eles continuaram morando nas terras dos pais de Sabino, que ajudava na lavoura de fumo e, depois da colheita, ainda se empregava na Souza Cruz. Fez isto por sete anos. Mais tarde, ganhou um pedaço de terra do pai onde construiu uma nova casa.


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foto: arquivo pessoal/Vitório e Isabel: pais de Sabino



No começo dos anos 1980, Sabino desistiu da agricultura e foi trabalhar na Cia Hering, em Blumenau. Nesta época, dona Nair era empregada doméstica, porém, precisou deixar o emprego para cuidar dos filhos. Na Hering, Sabino trabalhou por 13 anos, e admite ter muita saudade daquele tempo. "O trabalho era duro, mas o que me aguentou lá foram as pessoas, a chefia. Éramos uma família de 13 mil empregados", diz Sabino. Ele conta que foi graças ao trabalho na Hering que ele e a esposa conseguiram criar os filhos. "Passei a gostar muito deste ambiente com muitas pessoas, sou brincalhão e fiz muitas amizades neste tempo, dá saudades", emociona-se.

Depois da Hering, ele ainda foi verdureiro. Plantava em terras, no bairro Lagoa, repolho, aipim, melancia, pepino e cenoura. Nos dois primeiros anos a safra foi boa, mas no terceiro uma chuva de inverno dizimou a plantação. O prejuízo foi tão grande que não deu mais para recuperar e o negócio encerrou. Foram tempos difíceis. Em 1996, Sabino se aposentou. Três anos depois, seu Vitório faleceu. Dona Isabel morreu em 2005.

Nair. 62 anos, também não teve vida fácil. Ela conta que começou a trabalhar com nove anos de idade. E ainda não parou. Ela tem uma pequena facção em casa, juntamente com a filha Mariana e o genro Anderson. O casal tem cinco netos: sabrina, que também trabalha na facção, João Vi-tor, Júlia Vitória, Maria Eduarda e Alana Vitória, a mais jovem.

Na parede de casa da família Sansão, uma verdadeira relíquia, que não os deixa esquecer suas origens: um termômetro que pertenceu ao pai de Sabino. "Ele usava para medir a temperatura do fumo na estufa", explica Sabino. O equipamento funciona perfeitamente há 70 anos.

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