O artesão gasparense Cainã Gartner transforma madeira bruta em belos ícones
Ainda criança, o gasparense Cainã Gartner deu os primeiros passos - mesmo sem saber - para tornar-se hoje um talentoso artista. O jovem "carpinteiro de luxo", como ele se define, foi praticamente criado dentro da marcenaria da família - a habilidade para esculpir madeira está em seu DNA e acompanha os Gartner há quatro gerações. Não há como não se impressionar com as obras de Cainã - são peças artesanais, que ganham vida pouco a pouco - resultado de um trabalho minucioso e feito com muito cuidado. O artista, de 27 anos, explica que dedica-se à regravação de objetos icônicos e, para isso, utiliza apenas a madeira e ouro como matéria-prima. Um trabalho contemporâneo, que ganha forma delicadas com técnicas praticamente medievais, como a pirografia.
Em sua galeria, recenemente inaugurada no PZ Coworking, há peças como revólveres, mapas, bolas de futebol americano e de basquete, e até uma réplica do capacete do eterno campeão Ayrton Senna. Para finalizar cada obra, Cainã leva em média um mês e meio. A inspiração vem do próprio artista. "Deixo a inspiração fluir e as ideias vão se encaixando", afirma. Questionado se há alguma peça preferida, o artista é enfático: para ele, todas elas têm a mesma importância. "Cada trabalho é um novo e empolgante desafio. As peças são como filhos, não dá para escolher um", pontua. Até hoje, o trabalho que demorou mais tempo para ser concluído foi um gladiador, feito sob encomenda. "A peça tem altura de 2,4 metros e levou dois meses para ser finalizada", revela.
Cainã explica que fundou sua própria empresa aos 21 anos, mas foi somente há um ano e meio que passou a se dedicar exclusivamente a obras autorais. Até então, ele produzia materiais para algumas marcas, como Dudalina, Beagle, Cavalera e Von der Völke. "Eu criava as peças de acordo com a necessidade de cada cliente, mas era uma produção em série, diferente do que faço hoje", acentua o jovem artista.
As peças autorais de Cainã já foram comercializadas para clientes de Gaspar e municípios do Litoral, como Balneário Camboriú e Florianópolis. Porém, o artista também já enviou trabalhos para Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. "São pessoas que conheceram meu trabalho pela internet", revela. Agora, Cainã pretende conquistar o mercado internacional - há quatro meses ele esteve em Miami (USA) onde deu o pontapé inicial para a divulgação das suas obras.
Recentemente, o artista gasparense foi escolhido para um trabalho muito especial: regravar a chuteira que Neymar utilizou na Copa do Mundo da Rússia. A peça, que já está pronta e levou um mês para ser produzida, será entregue nos próximos dias para o jogador da seleção brasileira e do Paris Saint-Germain.
O início
Cainã explica que quem iniciou os trabalhos com madeira na família foi seu bisavô, Arnold Gartner, que trabalhava com jardinagem rústica. Após seu falecimento, o avô de Cainã, José Gartner, foi quem assumiu os trabalhos e tornou o produto mais comercial. Na época, ele foi descoberto por uma empresa do Rio de Janeiro (RJ) - a Imaginarium - e passou a produzir peças, como porta retratos, bandejas, massageadores, cabides, entre outros produtos, exclusivamente para a marca. A demanda aumentou tanto que o pai de Cainã, Carlos Roberto Gartner, constituiu uma empresa para ajudar nos trabalhos. E era nesse "atelier", no bairro Coloninha, que Cainã passou toda sua infância. Desde criança ele manuseava as ferramentas e "criava" seus próprios brinquedos.
Mas, o que era um hobby, acabou se tornado sua profissão. Em 2011, o pai de Cainã e a Imaginarium encerraram a parceria - foi quando o jovem artista percebeu que iria ficar sem o atelier. Então, para não ter que parar de criar, Cainã abriu o seu próprio negócio. "Resumiria meu trabalho em uma palavra: paixão. Faço as peças por amor, a arte é meu combustível para a vida", finaliza.
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