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Na Oktoberfest, seus sabores se destacam. Mas você sabe o que dá gosto às cervejas artesanais?
É preciso investir uma boa dose de arte e muito trabalho para que o público possa degustar seus copos de chope artesanal na Oktoberfest. Quem vai à festa tem muitas opções de chopes e cervejas, podendo escolher entre o comercial e a grande variedade de sabores e aromas que as cervejarias artesanais podem oferecer. A gasparense Das Bier está entre as cervejarias artesanais da região que comercializam seus produtos na Oktoberfest, sendo que neste ano levou oito opções de chope para a festa. De acordo com o diretor da Das Bier e beer somelier Leandro Schmitt, o processo de produção da cervejaria artesanal não é muito diferente daquele utilizado pelas cervejarias comerciais. “A principal diferença é que nosso chope é puro malte. As cervejarias maiores, comerciais, usam mais cereais além do malte e cevada, como o milho e o arroz, por exemplo”, explica.
Embora a Das Bier e as outras cervejarias da região sejam artesanais, o processo de produção é industrial. “Ainda não há um consenso do que poderia ser definido como artesanal. Acredito que um trabalho que envolve arte e paixão seja a melhor definição”, destaca. Como estas cervejarias trabalham com um volume menor de produto que as comerciais, é mais fácil para que os mestres cervejeiros se arrisquem, criem novos sabores de diferentes estilos e experimentem boa parte das infinitas possibilidades que a cerveja artesanal oferece. “Se tudo der errado, perdemos um volume muito menor”, ressalta Leandro.
Há muitos elementos que podem ser utilizados para dar sabor à cerveja, conforme relata o beer sommelier. É possível frutas e muitas especiarias, além de maturar a cerveja em barris de vários tipos de madeira. O amargor da cerveja é trazido pelo lúpulo, que pode deixar vários aromas de sabores no líquido, dependendo de sua origem. Por exemplo, o lúpulo alemão confere um sabor mais herbáceo, enquanto o americano deixa notas mais cítricas. O lúpulo é uma flor em cone, e é a lupulina extraída da flor que dá estes aromas e sabores, além de possuir propriedades relaxantes.
Outros elementos
O malte de cevada também pode dar um leque de sabores ao líquido; ele vai do claro ao escuro e o sabor muda de acordo com sua torrefação. O fermento é responsável por sabores frutados ou de pão e há uma infinidade de opções para serem escolhidas. Até mesmo a temperatura da cerveja muda seu sabor. “A propaganda da televisão recomenda que ela seja consumida estupidamente gelada, mas cada estilo tem a sua temperatura específica para ser bebido, e naquela temperatura o chope libera todos os seus aromas e sabores”.
Mercado
Leandro notou que há um mercado crescente para a cerveja artesanal. A cada ano que passa, ele observa o consumo de chope pilsen diminuir e o de especiais crescer durante a Oktoberfest. Uma prova de que o consumidor se interessa por novas experiências. “É um fenômeno que já ocorreu nos Estados Unidos, acontece agora no Brasil e acontecerá em outros países. Várias cervejarias pequenas apareceram e criaram este mercado, que até então o público praticamente desconhecia”, destaca. O que comprova o interesse e o valor que o público dá às cervejas especiais é a boa saída dos chopes Märzen, Stark Bier e Trippel Hop, que custam o dobro dos outros produtos da cervejaria gasparense. Leandro vê que o interesse do turista também cresce a cada edição. “A maioria busca conhecer o artesanal. Pode ser que bebam Pilsen, mas procuram um artesanal”.
Polêmica
Houve muitas mudanças na Oktoberfest deste ano em relação às de anos passados e outras alterações estão previstas para o ano que vem. Uma das maiores polêmicas surgiu quando o secretário de Turismo e presidente do Parque Vila Germânica, Ricardo Stodieck, anunciou que em 2014 não haverá mais venda de chope de vinho na Oktoberfest. Os consumidores já se manifestaram por meio das redes sociais, indignados com a decisão. A Das Bier produz o chope de vinho, que é um dos tipos mais consumidos na festa. “Quem sai perdendo é o público que gosta do chope de vinho. Talvez a própria organização venha a perder, pois há muita gente que só bebe este chope e pode deixar de ir à festa”, destaca Leandro.
Para degustar
Quem dá a dica é o diretor da Das Bier e beer somelier Leandro Schmitt: esta é a ordem que deve ser seguida para uma boa degustação. “Se você iniciar uma degustação com a cerveja mais forte, seu paladar estará amortecido e não será possível sentir alguns sabores. Por isso a degustação deve sempre partir da mais leve para a mais complexa”, esclarece.
Pilsen
O mais clássico, tem notas de malte e lúpulos florais, amargor leve e muito refrescante.
Weizen
De trigo, é refrescante, um pouco amarga, com aroma e sabor de banana, cravo e pão.
Pale Ale
Como manda a tradição deste estilo, possui amargor acentuado e sabores frutados
Braunes Ale
Há o amargor do lúpulo, sabor torrado e um toque de cacau.
Oktoberfest/Märzen
Lançamento que resgata as origens da festa alemã. De cor vermelho âmbar, ela tem amargor médio e notas maltadas, tem toque herbal do lúpulo.
Stark Bier
Strong Scotch Ale com amargor acentuado, presença de toffee e sabor levemente adocicado por rapadura.
XVII Knights Bier (Trippel Hop)
Elaborada por 16 cervejarias durante do Festival da Brasileiro da Cerveja, ela tem estilo belga, é complexa, seu sabor é ácido, cítrico e frutado.
Comercial ou artesanal?
Quem vai a Oktoberfest encontra estas duas opções, mas quais são as mais procuradas? Turistas e moradores da região se dividem e podem apreciar uma grande variedade de cervejas, seja ela comercial - no estande da patrocinadora da festa - ou artesanal. A região do Vale do Itajaí é privilegiada por ter muitas cervejarias artesanais e também caseiras de qualidade, que levam um grande leque de produtos ao mercado. E você, prefere artesanal ou comercial?
Flávia Domingos, 27 anos - Três Pontas, Minas Gerais
Esta é a 30ª Oktoberfest, a primeira da mineira Flávia Domingos, que veio a Blumenau acompanhada por uma turma de amigos. "A festa é muito boa, animada, e as pessoas são bem receptivas. É interessante ver também o quanto a cultura alemã é importante para a festa", conta. Ela e outros amigos optaram por comprar o Passaporte Brahma, que custa R$55 e dá direito a 10 copos de chope Pilsen ou Black. "É um chope que eu já conhecia e acredito que outros turistas optem por ele pelo mesmo motivo", destaca. Flávia não costuma tomar cervejas artesanais, porém afirmou que pretende provar algum dos chopes da Oktoberfest que não seja comercial.
Alexandre dos Santos, 24 anos - Blumenau Santa Catarina
O publicitário Alexandre Santos não é apenas mais um apreciador de cerveja artesanal. Ele também cursa um tecnólogo em produção de cervejas e já conseguiu produzir sua primeira cerveja em casa, além de ser um dos maiores fãs da Oktoberfest: ele pretende ir todos os dias à festa e, até o momento, manteve-se fiel a seu objetivo. Ele observou que o turista, mesmo quando se arrisca a provar as cervejas artesanais, escolhe o chope Pilsen. "Não só o turista, há muita gente aqui da região que se atém a isso, não é a maioria que bebe as cervejas especiais. Aliás, a maioria nem sabe quais são os tipos de cerveja que podem ser encontrados na Oktober", destaca o cervejeiro caseiro, que elegeu a Vienna, da Bierland, como sua favorita da edição 2013. Alexandre comenta que o turista vem pela festa em si, para beber em grandes quantidades, e não para apreciar os chopes da cervejarias da região.
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