O Brasil paga um preço alto pela sua continentalidade. É impossível compará-lo a países como Inglaterra e Espanha, cujas populações são três vezes menor que a nossa. Lá, a pandemia está em outro patamar e a vida praticamente voltou ao normal. Além disso, existe um problema no Brasil que é falta de planejamento urbano. As moradias em nossas cidades não são projetadas, mas empilhadas. Assim, as favelas cariocas, por exemplo, mais parecem cidades dentro de outra cidade. É impossível acreditar em distanciamento. Mesmo assim, muitas das quase 500 mil mortes no País por Covid-19 poderiam ter sido evitadas caso houvesse entendimento entre estados e União. Houve exageros dos dois lados e o fator político comprometeu o início da Campanha de Vacinação. Atrasamos, no mínimo, em dois meses o start. E assim, enquanto não atingirmos mais de 60% da população vacinada vamos conviver com os altos de baixos da pandemia. Neste momento, o Ministério da Saúde informa que houve um aumento de 7% no número de casos na semana de 6 a 12 de junho. Ao mesmo tempo, alguns estados batem recordes de número de vacinados, o que parece contraditório, mas não é. O contraditório, de fato, são as medidas de flexibilização que não estão de acordo com o ritmo da vacinação. Enquanto, as doses chegam lentamente nos estados e municípios, governos e prefeituras se apressam em liberar tudo, o que pode agravar a situação e provocar ondas sobre ondas. A flexibilização deveria ser proporcional ao ritmo de vacinação, mas isto jamais se projetou. O país segue muito mal organizado nas estratégias de combate à pandemia.

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