Todas as dúvidas sobre a trajetória pessoal e política de Flávio Bolsonaro culminaram em uma virada histórica no segundo turno da eleição presidencial. Quando parecia que haveria uma mudança de rumo, Lula conquistou a reeleição com a maior votação da história democrática do país: mais de 64 milhões de votos.


Na reta final da campanha, fatores como a postura em debates pesaram contra o candidato da direita. Além disso, questionamentos sobre a isenção das urnas voltaram a assombrar o processo eleitoral, sobretudo após a decisão do ministro do STF, Cristiano Zanin, de acatar o pedido de ambas as campanhas para prorrogar a votação por duas horas. Todos esses pontos dominaram o debate pós-eleição enquanto a esquerda comemorava. Contudo, o resultado das urnas precisa ser analisado sob a ótica da mobilização popular: os milhões de eleitores conquistados entre o primeiro e o segundo turno — incluindo aqueles que haviam se abstido — foram decisivos. As redes sociais, mais uma vez, desempenharam papel central a favor do vencedor, reafirmando a força das plataformas digitais e remetendo ao impacto das campanhas digitais observado desde 2018.


Se os números revelam a preferência popular por Lula, o futuro projeta enormes desafios de governabilidade para o quarto mandato. A Câmara dos Deputados e o Senado contarão com forte presença da oposição conservadora, exigindo intensa articulação política para aprovar pautas prioritárias, como a PEC da Segurança Pública. Somam-se a isso as complexidades econômicas a partir de 2027, com a implementação da Reforma Tributária e as pressões sobre as contas públicas. Como o governo financiará suas promessas diante desses gargalos fiscais e legislativos é uma resposta que só o tempo trará.


No âmbito regional, Santa Catarina — um dos estados mais pujantes do país — enfrenta seus próprios dilemas. A postura adotada até aqui pelo governador Jorginho Mello tem sido, no mínimo, questionável sob o ponto de vista de atração de investimentos federais, especialmente no setor rodoviário. Se o chefe do Executivo catarinense mudará ou não sua relação com Brasília ainda é uma incógnita.


Chega ao fim, assim, uma campanha eleitoral marcada por poucas propostas e um turbilhão de acusações — em que ocorreu de tudo, inclusive a ida do candidato derrotado para os Estados Unidos 48 horas após o encerramento do pleito.

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