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Editorial do JM da edição 20/03/2025 (Fotos: Jornal Metas)
O resultado reforça a rejeição ao sistema político e deixa a esquerda diante de um segundo turno mais difícil
Governar exige proposição e entrega contínuas. O apelo à “defesa da democracia” e às pautas sociais perde tração quando confrontado com as urgências cotidianas da população por segurança pública, controle do custo de vida e eficiência nos serviços básicos — demandas às quais o terceiro mandato de Lula não conseguiu dar respostas satisfatórias. Do discurso à prática, abriu-se um abismo tão profundo quanto a própria desigualdade social brasileira.
Em 2022, a vitória do petismo não significou uma adesão hegemônica ao projeto da esquerda, mas a consolidação de um consórcio pragmático. Foi uma coalizão de rejeição, costurada por forças heterogêneas — da esquerda tradicional ao centro democrático e à direita liberal — que enxergaram no antipetismo um risco menor do que a continuidade do projeto bolsonarista.
Quatro anos depois, a realidade cobrou o seu preço. A aliança heterogênea não se traduziu em estabilidade nem resolveu os problemas estruturais do país; em vez disso, acirrou a polarização. O Brasil passou a navegar à deriva, sob a sombra de um Judiciário que assumiu o protagonismo político e interferiu diretamente nos rumos do pleito de domingo passado (4).
As urnas, no entanto, mandaram um recado inequívoco tanto ao Executivo quanto ao Judiciário. A votação esmagadora da direita — com matizes de um extremismo que parecia arrefecido após as condenações por tentativa de golpe — evidenciou um eleitorado que rejeita o sistema vigente e o atual governo. A maioria aposta novamente na mudança, ainda que a eventual eleição de Flávio Bolsonaro não represente, em essência, a profunda transformação de que o país necessita.
A disputa, contudo, permanece aberta. No segundo turno, a esquerda precisará de um esforço monumental para reverter o cenário. Com o tempo exíguo e o retorno da propaganda eleitoral no rádio e na TV, há quem preveja uma postura mais agressiva por parte do candidato do PT, enquanto o postulante do PL avança na cooptação de apoios dos adversários derrotados na primeira etapa.
Em Santa Catarina, o resultado apenas confirmou o favoritismo. O governador alinhado ao bolsonarismo reelegeu-se em primeiro turno com uma votação acachapante, consolidando a hegemonia da direita no estado ao capitanear também a vitória de Carlos Bolsonaro na disputa pelo Senado.