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OPINIÃO (Fotos: JORNAL METAS)
Os números não apenas impressionam; eles chocam e constrangem a sociedade gasparense. Saber que duas mulheres são vítimas de violência doméstica por dia revela uma ferida aberta no cotidiano da nossa cidade. Os dados do Observatório da Violência Contra a Mulher de Santa Catarina, que contabilizam 364 registros de violência doméstica apenas no primeiro semestre deste ano — com predomínio de ameaças e lesões corporais —, deixam claro que o perigo, para muitas delas, mora sob o mesmo teto. E isso merece uma profunda reflexão.
As mais de 250 medidas protetivas concedidas no mesmo período pela Justiça reforçam duas certezas. A primeira é a gravidade e a iminência do risco ao qual essas mulheres estão submetidas em Gaspar. A segunda é que a resposta institucional, embora fundamental, atua muitas vezes quando o limite da dignidade física e psicológica já foi ultrapassado. E isso compromente sobremaneira o trabalho de redução desse tipo de crime. É preciso agir antes que o ciclo da violência doméstica se complete, ou seja, a agressão física.
Diante desse cenário tão preocupante, o “Agosto Lilás”, mês dedicado ao combate à violência doméstica, ganha contornos de absoluta prioridade em Gaspar. A caminhada marcada para este sábado (8), partindo da Sociedade Alvorada em direção ao Mirante Marco Zero, não pode ser encarada como um mero ato simbólico. Trata-se de uma demonstração necessária de ocupação do espaço público contra a covardia da violência. Um grito uníssono por socorro.
A união de forças entre a Secretaria de Assistência Social, as Polícias Civil e Militar, o Corpo de Bombeiros, a Câmara Municipal e a Procuradoria Especial da Mulher sinaliza que a rede de proteção busca se fortalecer e agir de forma integrada.
No entanto, a mobilização de rua e o trabalho contínuo das equipes multidisciplinares do CREAS precisam ser acompanhados por uma mudança profunda de atitude por parte da comunidade.
Como bem destacou a secretária de Assistência Social, Neusa Felizetti, em matéria pública nas páginas 7 e 8 dessa edição, o enfrentamento à violência doméstica exige o engajamento de toda a sociedade.
A omissão vizinha e o silêncio cúmplice não cabem mais em uma cidade que almeja o desenvolvimento humano e a segurança de seus moradores. Briga de marido e mulher é sim motivo de "metermos nossa colher".
Combater a violência contra a mulher exige fiscalização permanente, rigor na aplicação da lei, ampliação da estrutura de acolhimento e, sobretudo, a coragem coletiva de denunciar.
O Agosto Lilás cumpre seu papel ao jogar luz sobre o problema e apresentar os canais de socorro — como o CREAS, o 190 da Polícia Militar e o Ligue 180. Cabe agora a cada cidadão transformar a indignação com as estatísticas em atitude concreta para proteger vidas e interromper o ciclo da violência.