O Projeto de Lei 23/2026 sancionado pelo prefeito Paulo Norberto Koerich, nesta quarta-feira (15), não é apenas um ato administrativo; é o encerramento de um dos capítulos mais dramáticos, arrastados e porque não dizer cruéis da história de Gaspar. Ao conceder a gestão do hospital municipal à Fundação Hospitalar de Blumenau (Hospital Santo Antônio), Gaspar finalmente admite que a saúde pública não combina com o amadorismo e politicagem, tampouco pode estar assentada num esdrúxulo intervencionismo que sufocou a instituição por mais de uma década.

Para entender a impoprtância do ato, é preciso relembrar as incertezas e dificuldades desde a reabertura do hospital em 2010 e penosos 11 anos sob as asas do município. O fechamento em 2007, fruto de impasses que hoje parecem distantes, mas que deixaram cicatrizes profundas na população, serviu como um aviso: um hospital não sobrevive apenas de tijolos, equipamentos e boas intenções; ele respira gestão, fluxo de caixa e especialização técnica. A decisão atual é pragmática e, acima de tudo, corajosa.

O município reconhece que, embora invista mais de R$ 5 milhões por mês no hospital, não tem o know-how capaz de estancar a sangria financeira — com uma dívida estimada em R$ 50 milhões — e tornar a nossa instituição hospitalar autossuficiente nem de oferecer a qualidade do serviço que o cidadão gasparense merece. A “luz no fim do túnel” só se tornou possível graças a uma engenharia política estratégica, que culiminou com o aporte de R$ 20 milhões do Governo do Estado, somado à contrapartida municipal para a compra definitiva do prédio.

Ao se tornar dono do imóvel, o município deixou de ser um “inquilino em crise” para se tornar o guardião de um patrimônio que agora será gerido por quem comprovadamente entende do ofício. Trazer a expertise da Fundação Hospitalar de Blumenau — instituição que é referência regional através do Hospital Santo Antônio — é um selo de qualidade que a comunidade aguardava. A expectativa é que o padrão técnico e assistencial suba degraus imediatos. Não se trata apenas de manter as portas abertas, mas de garantir que a UTI (conquistada a duras penas na pandemia) e os 6 mil atendimentos mensais do Pronto Atendimento funcionem com a precisão de um relógio, e que o hospital possa se vocacionar para alguma das áreas da medicina.

Contudo, a celebração deve vir acompanhada de vigilância. A transição gradual prometida pela Prefeitura é essencial para que o atendimento não sofra sobressaltos. A sociedade civil e a Câmara Municipal, que agiu com responsabilidade ao aprovar o projeto por unanimidade, devem agora atuar como fiscais desse contrato. Afinal, poucas coisas são tão simbólicas e vitais quanto o local onde filhos nascem e doentes se recuperam. Que o “novo rumo” anunciado não seja apenas um slogan, mas a cura definitiva para um serviço que, há muito tempo está na UTI.

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