Entrar em ano eleitoral é como guiar um trem sem freios: o país torna-se refém de calendários apertados e interesses partidários. O cenário atual mostra que o Governo e o Congresso se preparam para entrar em “modo de urgência” a fim de aprovar o máximo de projetos antes que os debates eleitorais ocupem inteiramente as agendas dos governantes e parlamentares. Tradicionalmente, a atividade legislativa em anos de eleição sofre uma desaceleração abrupta.

O Brasil não poderia se dar ao luxo de passar por um processo eleitoral a cada dois anos. Há muito tempo discute-se a unificação das eleições; o tema, porém, não avança como deveria no Congresso Nacional, pois há muitos interesses em jogo. Por isso, a cada biênio, nós, eleitores, precisamos ir às urnas para “renovar” nossos representantes no Executivo e no Legislativo.

Em 2022, o Brasil teve a eleição mais cara de sua história. Foram mais de R$ 7 bilhões investidos, sendo R$ 4,9 bilhões provenientes do Fundo Eleitoral (o “Fundão”) — recurso utilizado para custear as campanhas dos partidos, aprovado sem restrições pelos congressistas e sancionado pela Presidência da República. Outros R$ 1,3 bilhão foram destinados à logística do pleito. Soma-se a isso a isenção fiscal para rádio e TV pela propaganda eleitoral gratuita, cujo cálculo aproximou-se de R$ 900 milhões. Assim, a conta final em 2022 superou os R$ 7 bilhões, custando R$ 8,53 por eleitor ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Com uma projeção anual de inflação de 5%, o país terá gasto quase R$ 50 bilhões com eleições em uma década. No entanto, ao considerarmos o impacto de pautas aprovadas “às pressas” — como as emendas parlamentares impositivas para gerar bem-estar social momentâneo antes do voto —, o custo indireto para os cofres públicos atinge cifras bilionárias. Isso evidencia que interesses pessoais e partidários frequentemente prevalecem sobre os interesses da sociedade, uma realidade que persistirá até que se consiga dar um basta a esse modelo.

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