Operação Hora Máquina se limitou aos endereços dos investigados

A Prefeitura de Gaspar emitiu uma nota onde informa que não foi previamente comunicada sobre a investigação policial denominada Operação Hora-Máquina, realizada na manhã desta terça-feira (3), pela Polícia Civil.

A operação visa apurar fatos ocorridos no final da gestão anterior, quando, de acordo com a polícia civil, existem suspeitas de superfaturamento em contratos de aluguel de máquinas pesadas, bem como desvio de macadame e outros materiais para fins privados.

A nota esclarece ainda que a atual administração municipal tomou conhecimento por meio da imprensa.

A reportagem também apurou que a polícia não realizou nenhuma busca a apreensão na Prefeitura, limitando-se aos endereços dos investigados.

Confira, na íntegra, a nota.

 "A Prefeitura de Gaspar informa que não foi previamente comunicada sobre a operação denominada Operação Hora Máquina, realizada nesta terça-feira (3), pela Polícia Civil, que apura fatos ocorridos antes do início da atual gestão.

O município tomou conhecimento da operação por meio da imprensa e, até o momento, não recebeu nenhum questionamento formal ou comunicado oficial sobre a investigação, tampouco informações sobre os envolvidos.

A Prefeitura de Gaspar aguarda notificação oficial das autoridades competentes e se coloca à disposição para colaborar integralmente, prestando todos os esclarecimentos e informações que forem solicitados.

A atual gestão destaca que todos os atos administrativos seguem rigorosamente os princípios da legalidade e da transparência."

Entenda a investigação

De acordo com a investigação policial, nos últimos três meses do Governo Kleber Wan-Dall, as secretarias de obras, de agricultura e o SAMAE esgotaram toda a quantidade prevista em ata de registro de preço para o ano, com relação a determinados materiais, tais como macadame e areia industrial.

Além disso, a Prefeitura também esgotou toda a quantidade de hora-máquina com relação especialmente à motoniveladora (patrola), nos últimos meses de 2024, não restando mais horas disponíveis para os meses subsequentes.

Outro ponto que chamou atenção foi que uma mesma família criou pessoas jurídicas diversas, que concorreram entre si nas licitações referentes ao macadame e ao aluguel de máquinas pesadas.

Ao aprofundar a investigação, a Polícia Civil obteve elementos no sentido de que houve a destinação de material (macadame e outros) e de hora-máquina para fins particulares, inclusive em terrenos de propriedade privada de servidores públicos investigados, o que ocasionou o esgotamento da quantidade de material contratada pela Prefeitura.

Investigados ocupavam cargos de primeiro escalão

Os servidores investigados ocupavam cargos de Secretário de Obras, Secretário de Agricultura e Presidente do SAMAE quando os fatos ocorreram. Servidores responsáveis pela fiscalização de contrato também foram investigados. Entre os alvos de busca, há um ex-vereador, não reeleito para a legislatura atual.

Foram cumpridas ainda, 12 ordens de busca e apreensão domiciliar, com o objetivo de apreender dispositivos informáticos, documentos, valores em espécie e outros elementos relacionados à investigação em curso. Também foi apreendida uma quantidade em dinheiro nos imóveis pertencentes aos empresários. Segundo a polícia, não houve mandado de prisão.

A reportagem tentou contato telefônico com o ex-prefeito de Gaspar, porém, não conseguiu retorno. O espaço segue aberto para a defesa.

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