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Wan-Dall afirma ter separado rigorosamente seus perfis pessoais da comunicação institucional e vê motivação política na denúncia (Fotos: Jornalismo Adjori/SC)
Tribunal de Justiça acata denúncia por suposta promoção pessoal ligada ao programa "Avança Gaspar"; ex-prefeito afirma que sempre separou seus perfis pessoais da comunicação oficial
O Tribunal de Justiça de Santa Catarina autorizou o andamento de uma ação penal envolvendo o ex-prefeito de Gaspar, Kleber Wan-Dall, acusado pelo Ministério Público de associar sua imagem pessoal às ações públicas realizadas durante sua gestão. A decisão foi tomada na tarde desta quinta-feira (27), em sessão presidida pela desembargadora Cinthia Bittencourt Schaefer.
De acordo com a denúncia, entre 2018 e 2021, Wan-Dall teria vinculado seu nome e sua imagem ao programa de investimentos “Avança Gaspar”, utilizando ferramentas de comunicação institucional — como vídeos e peças publicitárias — financiadas com recursos municipais. Segundo o Ministério Público, esse material teria promovido uma “exposição excessiva da figura de Wan-Dall e sua administração, em detrimento das anteriores”. A acusação estima que os gastos oficiais com tais produções somaram R$ 75,2 mil.
A defesa sustentou que as campanhas possuíam caráter estritamente institucional, argumentou que a denúncia seria inadequada e sem lastro probatório mínimo, mas as contestações foram rejeitadas. Em seu voto, a desembargadora afirmou: “Para o recebimento da denúncia, não se exige certeza quanto à prática delitiva, mas apenas a existência de elementos probatórios que indiquem a probabilidade da autoria.”
Com o recebimento da denúncia, o ex-prefeito será notificado pessoalmente e terá cinco dias para apresentar defesa preliminar. Na sequência, o processo seguirá para fase de instrução, com coleta de provas e depoimentos.
O que diz o ex-prefeito Kleber Wan-Dall
Em conversa telefônica concedida ao Jornal Metas, Wan-Dall afirmou que a denúncia se baseia na interpretação equivocada sobre o uso de suas redes pessoais e rejeitou a tese de autopromoção custeada pela prefeitura. “Se você vasculhar o site da prefeitura, as páginas da prefeitura, tanto no Facebook, quanto no Instagram, você não vai encontrar minha foto, você não vai encontrar vídeo meu, você não vai encontrar o meu nome, porque eu sempre tomei um cuidado muito grande com isso, para não misturar uma coisa com outra", explica.
Kleber explicou que no início do processo, o Ministério Público ofereceu um acordo, que consistia no consentimento dele de que havia irregularidade no uso de suas redes sociais e assim a punição poderia ser paga com multa. No entanto, o ex-prefeito não aceitou o acordo por acreditar ser inocente das tais acusações.
O ex-chefe do Executivo também afirmou que esse tipo de divulgação é prática política amplamente adotada em diferentes níveis da administração pública. “O que eu fiz é o que todo mundo faz de vereador a presidente da república. Basta ver o presidente Lula falando do pé-de-meia, os programas do governo federal, ou o governador Jorginho Melo falando do Estrada Boa. Os prefeitos todos fazem isso, vereadores, deputados, secretários, todo mundo faz isso”.
Kleber sustenta que suas redes eram administradas por equipe particular, sem envolvimento da estrutura de comunicação oficial. “Na minha defesa prévia, eu anexei um contrato que eu tinha com uma agência de publicidade, que eu pagava do meu bolso para cuidar da minha rede social. Nada era vinculado aos perfis oficiais da Prefeitura", esclarece.
Questionado se via motivação política por trás da denúncia, Kleber revela que acredita que sim. “Na minha percepção isso foi feito pela oposição. A oposição sempre me tratou dessa forma, durante todo o mandato. Então não tenho dúvidas de que foi uma ação política da oposição”.
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