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Único candidato a Deputado Federal por Gaspar, o ex-vereador confia na fidelidade eleitoral dos gasparenses
Vereador mais votado em 2012 e candidato a prefeito em 2016, com mais de nove mil votos, Marcelo de Souza Brick, 37 anos, aceitou o pedido pessoal do candidato ao governo do estado do seu partido, o PSD, de tentar uma vaga à Câmara Federal no próximo dia 7 de outubro. Ele admite que o desafio é grande, mas tem a seu favor o fato de ser o único candidato a deputado federal por Gaspar, confiando que o eleitor gasparense opte por um nome da cidade. Brick também encara as eleições deste ano como um termômetro para o seu projeto político de voltar a disputar a prefeitura de Gaspar, em 2020, porém, garante que se conquistar a vaga na Cãmara Federal irá cumprir os quatro anos de mandato. Formado em Direito, com MBA em Políticas Públicas e Pós-Graduação em Controle da Gestão Pública, Brick se diz preparado para o desafio. A seguir, a entrevista exclusiva ao Jornal Metas.
JM: Você não tinha planos de se candidatar nestas eleições, mas de repente você se viu candidato. Como surgiu essa candidatura?
Brick: Em 2016 nós tivemos uma derrota eleitoral, mas uma vitória do ponto de vista político porque conseguimos mais de 9 mil votos. Havia, portanto, uma vontade de mudança e acho que consegui representar um pouco essa mudança. O meu foco político ainda é para 2020, porém, houve esse convite do Merísio (Gelson), primeiro para ser candidato a deputado estadual, porém, o ex-prefeito Celso Zuchi lançou a sua candidatura à Assembleia Legislativa, acabei aceitando disputar vaga à Câmara Federal.
JM: Deixa eu ver se entendi: você não tentou uma cadeira na Alesc por causa da candidatura do ex-prefeito Celso Zuchi?
Brick: Se nós lançassemos mais de um candidato a deputado estadual por Gaspar não elegeríamos nenhum. Portanto, a candidatura do Zuchi somada ao pedido do Merísio para eu ser candidato aqui pela região me deu a única condição de disputar à Federal. Eu tenho compromisso com a cidade e com a região. Fizemos um bom trabalho em 2016 e eu quero representar muito bem Gaspar, pois conheço as demandas da cidade e do Vale do Itajaí.
JM: Quais seriam elas?
Brick: O atual Governo do Estado agiu aqui no Vale sobretudo na questão das enchentes. Há um bom tempo não temos mais enchentes na região, porém, isso precisa ser uma constante. Vamos cobrar a todo momento do governo para que faça essa manutenção. A segurança pública é outra bandeira, pois foi nesse governo que foi feito concurso público depois de mais de dez anos e se fez a maior contratação de policiais da história de Santa Catarina. No entanto, não veio tanto policial para Gaspar e para a nossa região. Por isso, eu vejo que a segurança pública tem que ser combatida e isso o Merísio tem forte em seu discurso. Ele quer combater a criminalidade junto com a sociedade organizada. A mobilidade urbana é o calcanhar de aquiles de qualquer gestor público. Tem-se a ideia do Anel de Contorno, mas existem outras ações que podem ser feitas para amenizar essa situação, como por exemplo, a interbairros, que vai passar pela localidade da Águas Negras, além da construção da ponte próxima ao bairro Bela Vista em direção à BR-470 e, sem dúvida nenhuma, o Hospital de Gaspar, que é viável, porém, é preciso fortalecê-lo. E não é apenas com recursos, precisa também melhorar a gestão. O Hospital Santo Antônio (Blumenau) é referência em oncologia, assim como outros hospitais da região tem alguma referência em especialidades, já o nosso não tem nenhuma referência. Essas, portanto, são algumas bandeiras que um deputado federal vai precisar trabalhar fortemente e junto com o governador e a Assembleia Legislativa.
JM: Você pretende ser um deputado apenas do Vale do Itajaí?
Brick: Essa é a tendência. Trabalhar fortemente pelo Vale do Itajaí. Temos bandeiras de longa data e se conseguirmos, de alguma forma, viabilizá-las isso já será muito bom.
JM: Você acha que sendo deputado federal vai ajudar muito mais Gaspar e a região do que se estivesse na cadeira de prefeito?
Brick: Tem coisas que o Executivo te possibilita com mais rapidez. Como prefeito, com certeza eu teria autonomia maior e dependeria exclusivamente da minha força e da minha vontade. Eu posso trazer o investimento quer for necessário, mas se o prefeito não quiser executá-lo esse recurso passa batido. Portanto, na condição de prefeito teria uma condição de execução muito maior, mas, por outro lado, como deputado posso garantir um recurso que se o prefeito não tiver ele não consegue executar grandes obras.
JM: O prefeito vai a Brasília e o contato dele é com os deputados que fazem o meio-campo com os ministérios. Você acha que conseguirá cumprir esse papel?
Brick: Sem dúvida. Eu me elegendo ou não tenho partido: o da minha cidade do coração, que é Gaspar. Quero trabalhar abraçado com o prefeito. Se eu não pensasse assim, seria candidato a deputado estadual para atrapalhar a candidatura do Zuchi, porque eu tenho certeza que ele não iria se eleger.
JM: Tem muito candidato de fora que ganha o voto dos gasparenses. Isso atrapalha?
Brick: Eu penso que isso atrapalha quando o candidato é de fora da região. Se for de Blumenau, por exemplo, não vejo problema, pois ele vai defender o Vale do Itajaí.
JM: Como você está percebendo esse início de campanha?
Brick: Muita gente ainda não sabe que sou candidato, porém, quem sabe diz que eu posso contar com o voto, ou seja, uma receptividade 100%. Eu sinto que essa vai ser uma das campanhas mais difíceis. Há uma resistência muito grande do eleitor. Por isso, o candidato que diz que vai entrar lá e mudar tudo tem a preferência, mas a gente sabe que na prática não é assim. Eu, por exemplo, sou um candidato que não tem a rejeição daquele que teve a oportunidade de fazer e não fez. Eu nunca estive na Câmara dos Deputados, por isso ainda consigo estar na campanha com o discurso do novo.
JM: Qual a tua projeção de votos em Gaspar?
Brick: Eu gostaria, no mínimo, de fazer os votos que fiz para prefeito, ou seja, mais de 9 mil. Se fizer menos é prejuízo eleitoral. Eu acredito que dá para projetar em torno de 15 mil votos ou até um pouco mais.
JM: Essa será uma campanha 'franciscana"?
Brick: Sem dúvida, com pouco dinheiro e muita rede social. O meu eleitor, acredito, está neste meio digital, Naturalmente que não vou esquecer do corpo a corpo, que é visitar e conversar com os eleitores que é o que estou fazendo e vou fazer durante toda a campanha.
JM: E se o Marcelo Brick se eleger deputado vai deixar o mandato para se candidatar em 2020?
Brick: Não, penso que devo cumprir os quatro anos de mandato, porém, se eu não me eleger, mas obter uma votação expressiva, o caminho natural é a candidatura em 2020.
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