Professor se apresentou nesta quarta-feira na delegacia de Gaspar e saiu direto para o presídio

O professor auxiliar suspeito de abusar sexualmente de uma menina de apenas três anos de idade no CDI Cachinhos de Ouro, no bairro Figueira, em Gaspar, já está preso. O jovem, de 20 anos, se apresentou no final da tarde desta quarta-feira (13) depois de uma negociação entre a polícia civil e seus advogados. O suspeito chegou à delegacia por volta das 17h30 e às 19h05min saiu algemado em um camburão da Civil direto para o Presído Regional de Blumenau. Contra ele já havia um mandado de prisão preventina expedido pela Comarca de Gaspar. Durante o tempo em que permaneceu na delegacia, ele foi ouvido, em depoimento, pelo delegado André Santana Amarante, que não quis falar com a imprensa. O delegado também solicitou que não fossem feitas imagens da saída do suspeito da delegacia. Os advogados do professor também não quiseram fazer nenhum comentário, apenas confirmaram que a apresentação do seu cliente foi espontânea, porém, somente teriam sido informados que havia um mandado de prisão no momento do depoimento.
Cerca de dez pessoas se concentraram em frente à delegacia e, na saída do suspeito, se manifestaram pedindo justiça. Uma tia da vítima disse que veio para ter certeza que o suspeito havia se apresentado. "Eu senti um desprezo muito grande ao vê-lo saindo da delegacia algemado, mas vim pra cá para conferir se ele realmente havia sido preso já que os pais da minha sobrinha não tinham condições psicológicas. Espero que a justiça seja feita e que ele não seja solto amanhã", desabafou. 
Ela também garantiu que o protesto em frente à Secretaria Municipal de Educação, marcado para a próxima sexta-feira (15), a partir das 16 horas, vai acontecer mesmo depois da prisão do suspeito. "O protesto não é pela polícia, porque a polícia já fez a parte dela, mas contra a Secretaria de Educação porque a gente quer que a Marlene (secretária Municipal de Educação) seja afastada. Ela é tão culpada quando a diretora que já foi afastada", disse a tia. 

Entenda o caso
O suposto estupro teria ocorrido no início da tarde do dia 8 de abril, no Centro de Desenvolvimento Infantil (CDI) Cachinhos de Ouro, no bairro Figueira. O fato revoltou pais e comunidade em geral que, na manhã de segunda-feira (11), se reuniram em frente ao educandário para protestar e pedir justiça. O crime teria sido praticado pelo professor auxiliar, que trabalhava no CDI havia três meses. 
A revolta maior dos pais é que o funcionário teria sido apenas afastado do cargo, em vez de preso. A polícia não foi chamada pela direção do CDI no momento do flagrante. 
Quem viu o crime foi a servente de merendeira, Eliete da Rosa. Ela contou que ao retornar ao CDI após o almoço, por volta das 13h, foi estender a roupa e viu tudo pela janela. O professor estava sozinho na sala de aula, onde havia outras crianças - algumas dormiam. "Ele estava segurando a criança em um dos braços e com a outra mão acariciando as partes íntimas dela. Quando ele me viu fez de conta que não estava acontecendo nada e foi lavar as mãos. Foi horrível para mim, que sou mãe, presenciar uma cena destas". Sem saber ao certo o que fazer, a servente relatou o que viu à diretora do CDI, que acionou a Secretaria de Educação. "Eles me colocaram frente a frente com o professor e quando eu questionei o que ele tinha feito ele admitiu", afirma. . "Estou com a consciência limpa, pois sei que meu papel eu fiz", opinou a servente. Ainda segundo ela, a confissão do professor auxiliar teria sido gravada pela diretora. Essa teria sido uma das provas usadas pelo delegado André para pedir a prisão preventiva. Outros argumentos foram embasados nos depoimentos que foram tomados durante toda a terça-feira (12). Ao tomar conhecimento do fato, a mãe da vítima contou que ficou sem o chão. "Achei que na creche a minha filha estaria protegida". Agora, ela espera justiça e não está descartada a hipótese da família abrir um processo contra o município. 

Protocolo
Procurada pela equipe de redação do Jornal Metas, a secretária de Educação de Gaspar, Marlene Almeida, afirmou, em reportagem publicada na edição desta quarta-feira (13) do JM, que as atitudes foram tomadas tendo como foco a criança e a preservação do seu anonimato. "Assim que recebemos a informação tomamos as providências necessárias para afastar o funcionário do cargo, chamamos os pais da criança ao CDI e registramos um boletim de ocorrência na delegacia. Não pensamos em chamar a polícia", admitiu. Segundo a secretária, os procedimentos teriam continuidade na segunda-feira, mas, por causa da manifestação, não foi possível. "Seguimos o protocolo que sempre é feito pela secretaria. A diretora foi orientada baseado no que sempre fazemos. Entendo e respeito a revolta dos pais, mas em nenhum momento nossa intenção foi abafar o caso", defende-se. Marlene informou que a secretaria irá reunir a equipe para rever o protocolo adotado. A então diretora do Cachinchos de Ouro, Doraci Lani Deschamps, também foi afastada da função. "Ela está afastada por tempo indeterminado, pois os pais ainda estão muito revoltados com a direção", justifica a secretária. Sobre o professor auxiliar, Marlene confirmou que ele foi efetivado neste ano e começou a trabalhar no CDI em fevereiro. Até então, não havia nenhuma reclamação contra ele e nem relatos de atitudes duvidosas. "Ele era um funcionário que cumpria com suas obrigações e nunca levantou suspeitas", finalizou a secretária.

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