Um presidente cassado e outros dois ex-presidentes investigados

A Justiça e a imprensa têm cumprido papel importante no combate à corrupção no Brasil. A ampla divulgação dos casos mostram à sociedade que existe um movimento organizado visando extirpar esse "câncer" chamado corrupção do nosso convívio. Juízes, promotores e ministros do STF também têm trabalhado em sintonia com as aspirações de toda a sociedade brasileira. A seguir, uma lista de alguns escândalos de corrupção que marcaram os governos nos últimos 27 anos.

Anões do Orçamento

O mais antigo caso é dos "Anões do Orçamento", ocorrido entre o final dos anos 80 e o início dos anos 90. Foi aberta uma CPI em 1993, que acabou investigando 37 deputados. Destes, seis foram cassados e quatro renunciaram. No centro do esquema, o deputado João Alves de Almeida. Para lavar o dinheiro da propina, João Alves comprava "bilhetes premiados" na loteria.

Caso Collor

Em maio de 1992, o Brasil descobriu a existência de um esquema operado no governo - com a anuência do então presidente Fernando Collor de Mello (foto abaixo) - pelo economista Paulo César Farias, o PC, ex-tesoureiro da campanha de Collor à Presidência. PC recebia propina de empresários interessados em negociar com o governo, ficava com 30% do dinheiro arrecadado e repassava o restante ao presidente. Estima-se que o esquema tenha movimentado US$ 350 milhões. Fernando Collor de Mello foi afastado do cargo numa votação histórica no Congresso Nacional e acabou renunciando ao mandato diante da iminência de uma cassação. 

O juiz Lalau

Liderado pelo juiz Nicolau dos Santos Neto e pelo ex-senador Luis Estevão, do Distrito Federal, o esquema desviava verbas na construção do fórum do Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo.As obras do fórum se iniciaram ainda em 1992. Auditorias constataram que apesar de 98% da verba ter sido liberada, apenas 64% das obras estariam finalizadas. Dos R$ 232,5 milhões destinados à construção, R$ 169,5 milhões foram parar nos bolsos dos corruptos..

As privatizações

Os dois principais processos de privatização conduzidos no governo Fernando Henrique Cardoso (foto abaixo) - a venda da Companhia Vale do Rio Doce e do sistema Telebrás - envolveram cifras gigantescas e resultaram em graves acusações contra muitos de seus protagonistas. Em 2001, o ex-senador baiano Antonio Carlos Magalhães (já falecido) fez uma acusação pesada a respeito da privatização das teles. Segundo ele, o consórcio Telemar teria feito um acerto para pagamento de R$ 90 milhões de reais a Ricardo Sérgio de Oliveira, então maestro de coxia dos negócios da Previ, o poderoso fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, para levar o negócio. O caso ficou conhecido no Brasil como "Privataria Tucana" e virou até livro.

A reeleição

A emenda constitucional que autorizava o presidente, os governadores e os prefeitos do país a disputarem a reeleição foi aprovada pela Câmara em primeiro turno, por um placar que humilhou a oposição, em fevereiro de 1997. Em maio, quando o texto aguardava a aprovação do Senado, veio a público a gravação de uma conversa na qual os deputados Ronivon Santiago e João Maia, ambos do Acre, confessavam ter recebido R$ 200 mil para votar a favor da emenda.

O Banco Marka

Logo após a desvalorização cambial de janeiro de 1999, o Banco Central vendeu dólares a preços mais baratos aos bancos Marka e FonteCindam, com a intenção de impedir que as duas instituições financeiras quebrassem, o que abalaria o sistema financeiro do país. O banco Marka, de Salvatore Cacciola, possuía 20 vezes seu patrimônio líquido aplicado em contratos de venda no mercado futuro de dólar. Com a desvalorização, o ex-banqueiro não teve como honrar os compromissos e pediu ajuda ao Banco Central. A operação resultou em um prejuízo de 1,5 bilhão de reais aos cofres públicos. Com a instalação da CPI em 2003, os deputados puderam, por meio de quebras de sigilo, apurar desvios da ordem de US$ 30 bilhões (ou R$ 30 bilhões na época do ocorrido).

Mensalão do PT

Em junho de 2005, os brasileiros descobriram que o PT havia montado um gigantesco esquema de compra de votos de deputados na Câmara Federal, para aprovar projetos do governo. O escândalo ficaria eternizado no vocabulário político brasileiro como "mensalão". Cada deputado custava cerca de 30 000 reais ao mês. Tudo foi descoberto pouco depois da Revista VEJA ter publicado o conteúdo de uma fita em que Maurício Marinho, então chefe de departamento nos Correios, aparece recebendo propina de empresários em nome do presidente do PTB, Roberto Jefferson.

Mensalão do DEM

A Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, desbaratou, em novembro de 2009, um esquema de corrupção no coração do governo do Distrito Federal, com a ajuda de um dos gerentes da tramoia, o ex-delegado Durval Barbosa, que aceitou participar de um programa de colaboração premiada. Barbosa filmou políticos do Distrito Federal recebendo dinheiro e enfiando em meias, cuecas, bolsas e até remetendo via Correios.

A Lava Jato

A Operação Lava Jato da Polícia Federal começou em Curitiba, investigando uma teia de doleiros acusados de lavagem de dinheiro, mas encontrou um esquema de corrupção na Petrobras armado durante os governos do PT com o objetivo de financiar campanhas políticas e, de quebra, enriquecer bandidos do colarinho-branco. As investigações avançaram na hierarquia política até chegar à inimaginável situação de ter os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (foto abaixo) e Dilma Rousseff, ambos do PT, citados pelo doleiro Alberto Youssef na colaboração premiada. Maior escândalo de corrupção da história da República, o "Petrolão" lavou pelo menos R$ 10 bilhões nos últimos anos.