intervenção Municipal foi renovada a pedido do prefeito eleito

O único hospital a realizar o pronto atendimento em Gaspar deverá continuar, ao menos no primeiro semestre de 2017, sob intervenção da prefeitura. Com uma dívida que beira R$ 15 milhões e com déficit mensal de R$ 80 mil, o Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro se tornou um dos principais temas de debate na última eleição. Ainda que seu partido tenha sido contrário à intervenção na época em que ocorreu, o prefeito eleito, Kleber Wan-Dall (PMDB), deverá manter a instituição nas mãos da prefeitura por tempo indeterminado.

A recente prorrogação da intervenção por mais seis meses, realizada no fim de novembro, contou com a participação da equipe do governo eleito. Na prática, a decisão dará mais tempo para o próximo prefeito conhecer a fundo a real situação do Hospital e decidir quais ações deverão ser tomadas para sanar os problemas de atendimento e buscar um remédio definitivo para a saúde financeira da instituição.

Entre as ações que devem ser colocadas em práticas em 2017, estão a implantação de uma nova rotina de atendimento, conhecido como Protocolo de Manchester, que define o tempo máximo para atendimento dependendo da gravidade da situação clínica do paciente; alterações no corpo clínico, a fim de contar com a presença de mais médicos especialistas; e a abertura do espaço do Hospital com incentivos para médicos gasparense começarem a utilizar cada vez mais o espaço, realizando mais cirurgias e gerando maior fluxo financeiro para a instituição.

Porém, a maior expectativa ainda recai sobre vocacionalização do atendimento do Hospital de Gaspar. Tida como a principal saída para dar fim à rotina de incertezas em que vive a instituição, adotar uma especialidade que aumente a taxa de ocupação e diminua a ociosidade trará sustentabilidade ao hospital e melhorará as finanças. Para ser colocada em prática, será necessário um estudo, com ajuda de médicos e autoridades da região, para definir qual atividade médica dará melhor retorno. É imprescindível que a especialidade escolhida conte com uma grande demanda de serviços na região e seja viável financeiramente.

Reformulação

Independente de tudo isso, o Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro precisará passar por uma reformulação e reestruturação, principalmente na questão contábil e financeira. Com uma dívida impagável, será importante que o conselho administrativo, com o apoio do Executivo e do Legislativo, busque o apoio dos representantes estaduais e federais para construir uma solução para o hospital. Hoje a maior parcela da dívida é de impostos não pagos, que poderão ser renegociados ou, até mesmo, substituídos pela oferta de serviços, dependendo da capacidade de convencimento e da força política dos representantes gasparenses. Somente com o pagamento ou negociação da dívida é que a instituição poderá voltar a receber os repasses públicos.