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Rio Itajaí-Açu ficou próximo de 10 m acima do seu nível em Gaspar (Fotos: Luiz Eduardo Schramm/Especial Jornal Metas)
Jornal Metas resgata a última grande enchente em Gaspar e mostra o que mudou de lá pra cá
O Rio Itajaí-Açu é o principal curso d’água do Vale do Itajaí. Formado em Rio do Sul, ele atravessa diversos municípios da região e desempenha papel fundamental no abastecimento de água. No entanto, durante os períodos de maior volume de chuva, o rio também desperta preocupação entre os moradores devido ao risco de enchentes.
Neste ano, a apreensão é ainda maior por causa da influência do fenômeno El Niño, que tende a aumentar o volume de chuvas no Sul do Brasil. Diante desse cenário, a Prefeitura de Gaspar e os órgãos de monitoramento e defesa civil intensificaram as ações de prevenção, acompanhamento das condições climáticas e preparação das equipes de resposta. O objetivo é reduzir os impactos de possíveis eventos extremos e evitar que tragédias registradas em anos anteriores se repitam.
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A enchente de 2011 em números (Fotos: ARTE JM)
A última grande enchente registrada em Gaspar ocorreu em setembro de 2011 e permanece viva na memória da população.
ARTE JORNAL METAS INSTAGRAM (Fotos: arte)
Em 8 de setembro de 2011, o rio atingiu 9,42 metros, deixando mais de 23 mil pessoas desalojadas e 559 desabrigadas. Ao todo, 7.661 residências foram atingidas pelas águas, além de haver impactos em escolas, unidades de saúde, 180 estabelecimentos comerciais e 84 indústrias.
Entre os momentos mais críticos está o da interdição da Ponte Hercílio Deeke devido à força da correnteza do Itajaí-Açu. A medida foi adotada pela Defesa Civil após vistoria técnica. Com isso, as margens esquerda e direita da cidade perderam completamente o acesso por terra, já que todas as rodovias que cortam o município foram interditadas por causa de alagamentos.
“Em 2011, eu era coordenadora da Defesa Civil de Gaspar e lembro da grande preocupação que enfrentamos com as enchentes e a elevação do nível do Rio Itajaí-Açu. Mas, como sempre costumo dizer, a enchente geralmente dá sinais e avisos antes de acontecer, diferentemente das enxurradas e dos deslizamentos, que podem ocorrer de forma muito mais repentina”, recorda Mari Inez Testoni Theiss, à época coordenadora da Defesa Civil de Gaspar.
Mari Inez relembra que, mesmo com o acompanhamento constante da elevação do nível do rio, a maior preocupação naquele momento era o grande volume de chuva que atingia a cidade e os riscos de deslizamentos. Segundo ela, os acontecimentos de 2008 em Gaspar ainda estavam muito presentes na memória da população e das equipes de emergência. Em 2011, as chuvas já vinham sendo intensas durante todo o período, aumentando ainda mais o estado de atenção e preocupação da Defesa Civil.
Em um trabalho de pesquisa e resgate em seus arquivos, o Jornal Metas produziu uma reportagem especial relembrando uma das maiores cheias da história recente do município e as lições tiradas dela. Confira nas próximas páginas.
Instabilidade do solo e risco de deslizamentos
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Casa interditada por causa de deslizamento de terra (Fotos: Arquivo JM)
A Defesa Civil enfrentou ainda uma grave instabilidade do solo, que resultou na interdição de pelo menos cinco imóveis por risco estrutural. Entre os casos mais críticos, uma residência na Rodovia Ivo Silveira (km 6) foi atingida por um deslizamento de terra. No Jardim Primavera, no bairro Bela Vista, uma casa apresentou rachaduras severas e queda de paredes devido à proximidade com o Rio Itajaí-Açu. Já na Rua Pedro Simon, no bairro Margem Esquerda, três residências foram interditadas preventivamente pelo risco de desabamento.
Naquele momento, diversas regiões do município foram severamente afetadas. No bairro Bela Vista, ruas como a Brasília e a Vila Nova ficaram completamente alagadas, obrigando moradores a utilizar barcos para se deslocar. No Coloninha, uma das primeiras áreas atingidas, a Rua Frei Canísio ficou submersa e o terminal rodoviário municipal foi totalmente inundado. Também foram registrados alagamentos expressivos nos bairros Sete de Setembro e Gaspar Grande.
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A localidade do Sertão Verde foi uma das mais atingidas pela enchente (Fotos: Arquivo JM)
O episódio também reacendeu o debate sobre o sistema de comportas no bairro Bela Vista, que já apresentava histórico de problemas de manutenção. Segundo Pedro Garcia, então presidente da Associação de Moradores do Bela Vista, uma das principais reivindicações da comunidade naquela época era o reforço do sistema de bombeamento. “Nós tivemos grandes dificuldadesa, porque a bomba funcionou, mas foi ineficiente, não deu conta. O que nos restou foi fazer a acolhida do pessoal na associação”, relembra. A questão voltou à pauta em outubro de 2023, com novas mobilizações da comunidade e a implantação de melhorias estruturais, entre elas a reestruturação da chamada “Casa das Bombas”, voltada à redução dos impactos das cheias na região. Para Garcia, a obra representa uma resposta a uma demanda de mais de dez anos dos moradores. “Foi feita a reestruturação da casa de bombas. Agora está funcionando. Só resta saber se realmente vai funcionar, se vai dar conta da função dela na ocasião das novas cheias que estão por vir”, conclui.
A limpeza e reconstrução
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Moradores descartam móveis, eletrodomésticos e outros utensílios (Fotos: ARQUIVO JM)
Com a baixa do nível do Rio Itajaí-Açu, iniciou-se um intenso processo de limpeza e reconstrução. Famílias retornaram às residências e começaram a remover a lama acumulada, enquanto grandes volumes de móveis e entulhos foram recolhidos pelas equipes da Secretaria de Obras. Para apoiar a retomada das atividades, a prefeitura disponibilizou caminhões para o transporte de mudanças e priorizou a liberação de escolas utilizadas como abrigos. A rotina do município começou a ser restabelecida nos dias seguintes, com a retomada do transporte coletivo e a reabertura do comércio. O Samae também normalizou o abastecimento de água na maior parte da cidade, com exceção de pontos isolados no bairro Belchior, onde houve interrupções temporárias. Mais do que números, a enchente de 2011 deixou marcas profundas na história de Gaspar e evidenciou a capacidade de mobilização e solidariedade da população gasparense. Mas, também lições que serviram para ensinar a nos prepararmos melhor.
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As últimas oito cheias do rio Itajaí-Açu (Fotos: Arte JM)
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A enchente de 2011 em números (ARTE: JORNAL METAS)
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Uma das casas interditadas em função de deslizamentos de terra (Arquivo Jornal Metas)
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Com as águas baixando, as equipes da Prefeitura iniciaram a limpeza das ruas (Arquivo Jornal Metas)
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A localidade do Sertão Verde foi uma das mais atingidas pela enchente (Arquivo Jornal Metas)
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As últimas oito cheias do rio Itajaí-Açu (Arte Jornal Metas)
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Moradores descartam móveis, eletrodomésticos e outros utensílios (ARQUIVO JORNAL METAS)
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ARTE JORNAL METAS INSTAGRAM (arte)