Na manhã desta sexta-feira, pai e filho confessaram o crime à polícia

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu que a morte de Débora Ester de Biazi Dambros, de 24 anos, não foi consequência de um acidente de trânsito, como parecia inicialmente. O caso ocorreu em São Carlos, no Oeste do estado, e passou a ser tratado como feminicídio após a análise das provas e das inconsistências encontradas na cena em que o carro da família foi localizado submerso no Rio Barra Grande.

O veículo, um Fiat Doblò, foi encontrado na água em 21 de julho, um dia depois da morte da jovem. A perícia, no entanto, apontou sinais incompatíveis com queda de ponte ou afogamento simples, o que reforçou a suspeita de que a tragédia havia sido encenada para ocultar um crime ocorrido dentro da residência do casal.

Crime aconteceu dentro de casa

De acordo com a investigação, Débora foi morta no dia 20 de julho, dentro da casa onde vivia com o marido. No momento da agressão, os dois filhos do casal, de 8 e 2 anos, também estavam no imóvel. Em depoimento, o homem confessou ter aplicado um golpe conhecido como mata-leão, provocando a morte por sufocamento.

O laudo cadavérico do Instituto Médico Legal confirmou a presença de sinais de asfixia, o que confirmou a versão apresentada pela polícia e descartou a hipótese inicial de acidente. A confirmação técnica foi decisiva para a mudança completa na condução do caso e para o avanço das medidas judiciais contra os suspeitos.

Ajuda do pai e tentativa de encobrimento

Após matar a esposa, o homem teria contado com a ajuda do próprio pai para tentar enganar as autoridades. Segundo a polícia, os dois colocaram o corpo de Débora dentro do carro da família e seguiram até uma ponte sobre o Rio Barra Grande, na SC-283, onde empurraram o veículo para dentro do rio. A cena foi montada para fazer parecer que a jovem havia perdido o controle do automóvel e sofrido um acidente fatal.

As diligências ainda levaram à apreensão de uma carta na residência da família. O documento mencionava um suposto pacto entre o casal para que, caso um deles morresse, os filhos também fossem mortos antes de um suicídio do sobrevivente, o que chamou ainda mais atenção dos investigadores pela gravidade do conteúdo encontrado.

Pais e Justiça acompanham o caso

Durante o interrogatório, o investigado afirmou que pretendia matar os dois meninos e, em seguida, tirar a própria vida, plano que acabou interrompido antes de ser executado. Com a confissão e os elementos reunidos, a Justiça decretou a prisão preventiva do marido e do sogro, ambos já cumprindo a medida.

O inquérito segue em andamento e o caso deve ser formalizado por feminicídio, ocultação de cadáver e fraude processual. A morte de Débora comoveu a região e expôs mais uma vez a violência praticada dentro de casa, além da tentativa de manipular a cena para esconder o crime.

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