A história do empresário que dedicou mais de 50 anos a registrar e preservar a história de Gaspar

Além de preservar a história, a fotografia é uma arte. Assim pensava Ivo Carlos Duarte, que nos deixou nesta terça-feira, dia 14, aos 73 anos. Ivo dedicou mais de 50 anos de sua vida à fotografia. E tudo começou por curiosidade, ainda na infância. Ele contava que, ao posar para uma fotografia de primeira comunhão ao lado da irmã, percebeu que seus sapatos — que havia sujado no caminho — permaneceram sujos na foto. “Aquilo me intrigou. Acho que foi o meu despertar para a fotografia”, relatou em reportagem publicada pelo Jornal Metas em 2008.

Como havia um estúdio próximo à casa onde morava, ele começou a trabalhar com fotografia. Era o encarregado de “revelar” as fotos em papel. Com o tempo, passou a fotografar.

Em 1971, com 16 anos, veio morar em Gaspar. Foi admitido no Cine Foto Cleusa, primeiro com a tarefa de ensinar os filhos do proprietário a técnica de revelação de fotografias. Em três meses, foi contratado em definitivo, permanecendo por quatro anos — tempo suficiente para despertar seu lado empreendedor. Chegou a morar em Belo Horizonte, mas o proprietário do antigo estúdio o chamou de volta e lhe propôs a compra do Cine Foto Cleusa. Com a ajuda do sogro, comprou o estúdio fotográfico e mudou o nome para Cine Foto Mary, em homenagem a uma cunhada com quem tinha grande amizade.

O primeiro endereço foi na Rua Aristiliano Ramos, próximo à cabeceira da ponte Hercílio Decke. De lá, mudou-se para um prédio maior, na mesma rua, onde permaneceu até hoje, sendo reconhecido como o fotógrafo mais antigo da cidade em atividade.

Pelas lentes das câmeras de Ivo Duarte, a história de Gaspar e de Santa Catarina foi sendo contada e preservada. Nada escapava de sua máquina fotográfica: aniversários, casamentos, batizados, primeiras comunhões, bodas de ouro e as tradicionais festas de igreja. Em praticamente todas elas, por muitos anos, Ivo Duarte era figura presente e única, Era o fotógrafo oficial. Ivo também registrou os grandes eventos políticos, econômicos e culturais da cidade, além dos momentos difíceis, como as cheias do Rio Itajaí-Açu que tomaram ruas e casas.

Suas fotos também foram publicadas em jornais de circulação estadual, como a de um acidente no bairro Barracão, onde um cavalo foi parar no banco traseiro de um veículo. A foto acabou na capa do Jornal de Santa Catarina. Foi Ivo quem fotografou o primeiro baile de debutantes de Gaspar. Também foi o primeiro a ter um minilab na cidade e a montar o primeiro laboratório de revelação de fotos coloridas, em Balneário Camboriú. Para Ivo, a fotografia em papel nunca acabou, apesar de toda a tecnologia atual. Ele dizia que a foto impressa agrega valor sentimental, e complementava: “Fotografia para mim é coisa sagrada, é minha vida”. 

Além de sua trajetória como empresário, Ivo também exerceu o cargo de vereador de Gaspar no começo dos anos 2000. Foi também diretor do Samae. Ivo participou ativamente da vida pública e comunitária de Gaspar. Foi membro do Conselho Comunitário Paroquial da Igreja São Pedro Apóstolo, sempre contribuindo para o desenvolvimento da cidade.

No final dos anos 1990, uniu-se ao amigo e também empresário Cláudio Scheidt para fundar o jornal A Voz do Vale. Apesar de atuarem em outros ramos, Ivo e Cláudio viram na comunicação uma grande oportunidade, já que o mercado da época acenava positivamente para os impressos. Porém, o A Voz do Vale teve vida curta. Em seu lugar surgiu, em 18 de março de 2000, o Jornal Metas. Nesta nova fase, o periódico passou a ter dois novos sócios: Antônio Schäfer e Andreone Santos Cordeiro. Em 2002, o JM trocaria novamente de mãos, passando para o atual proprietário, José Roberto Deschamps, o Beto. Mas o embrião daquele que se tornaria um dos mais premiados jornais do interior do estado nasceu da iniciativa e união de Ivo Duarte e Cláudio Scheidt. Mesmo depois de vender o jornal, Ivo continuou contribuindo, semanalmente fotos de casamentos, batizados, aniversários e etc são publicadas na coluna social de Juli Deschamps, assim como, ao longo dos últimos 26 anos, cedeu ao JM inúmeras fotos de eventos que cobriu na cidade.

Ivo Duarte foi casado com Maristela Debortoli, com quem teve quatro filhos — três homens e uma mulher. Ele nos deixou, mas seu legado será sempre lembrado nas imagens eternizadas por ele, pelo seu trabalho profissional, pela sua visão e ousadia de empreender em uma época tão carente de novos negócios em Gaspar. A sua história permanecerá para sempre ligada à história do município.

Neste momento de profunda tristeza, o Jornal Metas presta sua homenagem a um de seus fundadores e manifesta os mais sinceros sentimentos à esposa, Maristela, aos filhos, netos, demais familiares e amigos.

SIGA O JM NAS REDES:

Google News Google News Google News Google News