Engenho do Nono mantém tradição secular

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26/03/2026 16:38
A NOSSA GASPAR: 92 ANOS

Engenho do Nono mantém tradição secular

Por Alexandre Melo

 Publicado 26/03/2026 15:57  – Atualizado 26/03/2026 16:38

O Engenho do Nono é um exemplo de como uma antiga atividade pode resistir ao tempo e passar de geração para geração
  • O Engenho do Nono é um exemplo de como uma antiga atividade pode resistir ao tempo e passar de geração para geração (Fotos: GUILHERME SPENGLER)

Gilmar Cezar prefere manter o mesmo processo de fabricação de cachaça artesanal a quatro gerações

Antes que a eletricidade chegasse a Gaspar, era a água ou os bois que geravam a energia dos engenhos para moer grãos, serrar madeira e destilar cachaça.

O carro de boi foi, por muito tempo, o principal meio de transporte no interior de Gaspar
  • O carro de boi foi, por muito tempo, o principal meio de transporte no interior de Gaspar (Fotos: Arquivo Pessoal)

No Engenho do Nono, no Alto Gasparinho, Hulberto Marquetti, imigrante italiano, deu início à produção de cachaça em 1918. O antigo engenho começou movido pela tração animal, mas, em 1940, a produção passou a ser impulsionada por uma roda d’água — que, desde então, nunca parou de fornecer energia e vida ao local. Hoje, os irmãos Gilmar e Vandeir Cezar, a quarta geração da família, preservam essa herança, mantendo viva a receita artesanal do “nono” no agora conhecido Engenho do Nono, ponto de destaque do roteiro turístico Vila D’Itália.

Gilmar Cezar segue na lida diária de fabricar cachaça
  • Gilmar Cezar segue na lida diária de fabricar cachaça (Fotos: Arquivo Jornal Metas)

Para Gilmar, a permanência na propriedade é uma questão de missão espiritual e familiar. Apesar de ter trabalhado fora por dez anos e recebido propostas tentadoras para vender a propriedade, o valor sentimental falou mais alto. A estrutura atual da roda d’água, a terceira na história do engenho, foi construída nos anos 2000 com um sacrifício pessoal: Gilmar vendeu seus bois por R$ 1.600 e contou com a ajuda do pai para completar o valor da madeira de itaúba.

Na época, o investimento era alto, mas a vontade de honrar a memória do bisavô foi maior. Mesmo com a modernização batendo à porta, o engenho optou por abdicar da energia elétrica, e foi justamente essa tradição secular que tornou a propriedade um atrativo turístico.

Manter a essência da produção artesanal

Gilmar reconhece que a eletricidade traria mais agilidade e volume, mas prefere manter a essência: “Tenho comigo que, enquanto essa roda girar, a história da nossa família não vai morrer”.
O som da água batendo na madeira é o barulho do trabalho em harmonia com a natureza, um relicário de um tempo onde o homem e o meio ambiente eram aliados próximos.

A roda d'água representa a forma mais primitiva de gerar energia no século passado
  • A roda d'água representa a forma mais primitiva de gerar energia no século passado (Fotos: Arquivo Jornal Metas)

Nova geração quer seguir na atividade

Esse legado já floresce na próxima geração; a filha de Gilmar, ao testemunhar a dedicação do pai, já manifesta o desejo de nunca deixar a propriedade. Assim, o movimento da água garante que, mesmo em um mundo acelerado, a história de Gaspar continue sendo contada com a força e a alma de seus antepassados e, ao mesmo tempo, as propriedades rurais despertam a curiosidade dos visitantes.

Os casais Gilmas e Jéssica Cezar e Vandeir e Angela: 4ª geração
  • Os casais Gilmas e Jéssica Cezar e Vandeir e Angela: 4ª geração (Fotos: arquivo pessoal)

No Engenho do Nono, além da produção e venda de cachaça, o local oferece espaço para eventos e um restaurante onde é servido, a cada 15 dias, almoço e um café colonial de dar água na boca. Tudo preparado pela família.

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  • Gilmar Cezar segue na lida diária de fabricar cachaça (Arquivo Jornal Metas)

  • A roda d'água representa a forma mais primitiva de gerar energia no século passado (Arquivo Jornal Metas)

  • O carro de boi foi, por muito tempo, o principal meio de transporte no interior de Gaspar (Arquivo Pessoal)

  • O engenho antes de se tornar um local de visitação (arquivo pessoal)

  • Hulberto e Adelaide Marquetti: os pioneiros da família no Alto Gasparinho (ARQUIVO PESSOAL)

  • Geramos e Maria Inês Marquetti: 2ª geração (Arquivo Pessoal)

  • Gelesio e Neusa Maria Marquetti: 3ª Geração da família (Arquivo Pessoal)

  • Os casais Gilmas e Jéssica Cezar e Vandeir e Angela: 4ª geração (arquivo pessoal)

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