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Para a polícia, Luciani foi vítima de latrocínio (Fotos: ARQUIVO PESSOAL)
A Polícia Civil de Florianópolis ainda faz buscas para localizar o restante do corpo da corretora de imóveis gaúcha Luciani Estivalet Freitas, de 47 anos, brutalmente assassinada e seu corpo esquartejado no começo deste mês em um apartamento onde morava sozinha na Praia do Santinho, no norte da Ilha. O trabalho da perícia técnica concluiu que Luciani foi morta entre os dias 4 e 5 de março, e seu corpo permaneceu até a madrugada do dia 7 no apartamento dela, quando foi então esquartejado e colocado em cinco diferentes sacos plásticos.
Os assassinos levaram o corpo, no próprio carro da vítima, até uma ponte na área rural de Major Gercino, cidade de pouco mais de 3 mil habitantes e localizada a cerca de 130km do local do crime, e o jogaram em um córrego. Até o momento, apenas o tronco foi localizado. A perícia do IML já comprovou que se trata de Luciani.
Três pessoas foram presas suspeitas de terem cometido o bárbaro crime, classificado pela polícia, até o momento, como latrocínio (roubo seguido de morte): Ângela Maria Moro, de 47 anos, administradora do conjunto residencial onde Luciani residia; Matheus Vinícius Silveira Leite, 27 anos, vizinho de porta da vítima e Letícia Jardim, 30 anos, namorada de Matheus.
A mãe de Matheus, que chegou a ser considerada suspeita pela polícia, não responde até o momento a nenhum crime, assim com o irmão dele, um adolescente de 14 anos, flagrado pela polícia retirando em lojas do norte da Ilha produtos comprados usando dados e pagamentos de Luciani.
O desaparecimento
Luciani era natural de Alegrete-RS. Formada em Administração, Turismo e Gestão Ambiental, com mestrado, ela chegou a trabalhar como professora universitária, mas nos últimos anos se apresentava nas redes sociais como corretora de imóveis e de seguros. Luciani foi vista pela última vez na Praia dos Ingleses, no norte da Ilha, no dia 4 de março.
Ela costumava manter contato quase diário com familiares. Por isso, após um período sem qualquer tipo de contato telefônico, os familiares começaram a desconfiar se era realmente Luciani quem estava enviando as mensagens, por meio do aplicativo WhatsApp, por conta dos diversos erros de ortografia que ela não costumava cometer por conta da sua formação acadêmica. Palavras como “pesso”, “respentem”, “precionando” e “persiguindo” foram escritas em uma das mensagens.
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Familiares desconfiaram das mensagens enviadas do celular de Luciani contendo muitos erros de português (Fotos: Rede social)
O irmão de Luciani decidiu então ir até o apartamento dela, acompanhado de policiais. Ao entrarem no local, encontraram comida estragada e louça suja na pia. Alguns dias depois, o carro da corretora foi visto em São João Batista (SC) por uma câmera de monitoramento de rodovia. Além das movimentações do veículo, os cartões de crédito dela foram utilizados em compras on-line.
No domingo, dia 8, novas mensagens foram enviadas ao irmão pelo celular de Luciani, com a seguinte mensagem: “Só estou saindo com um rapaz não posso atender agora”.
Compras online e empréstimo em nome da vítima
A partir de informações repassadas pelos familiares, a equipe de Investigação da Delegacia de Roubos e Antissequestro – DRAS/DEIC realizou o rastreamento do CPF da vítima e chegou até um centro de distribuição de mercadorias, onde um adolescente foi flagrado retirando compras feitas em nome de Luciani, especialmente em plataforma online. Um empréstimo, no valor de R$ 20 mil, também foi identificado em nome da corretora de imóveis.
Abordado por policiais, o adolescente admitiu que era vizinho de Luciani e informou que a mercadoria era do seu irmão Matheus, de 27 anos de idade. A polícia identificou que Matheus estava foragido do sistema prisional do Estado de São Paulo, por ter cometido um latrocínio em 2022, na cidade de Laranjal Paulista, quando o proprietário de uma padaria foi morto com um tiro na cabeça. Matheus e Letícia moravam também em um apartamento vizinho ao de Luciani.
Ainda no dia 11, a investigação se deparou com evidências apontando que a administradora do residencial/pousada, Ângela Moro estava também associada ao casal, se beneficiando das compras feitas em nome da vítima. Os policiais ainda descobriram pertences da vítima, como notebook e televisão, além de mercadorias compradas, escondidos em outro apartamento, que estava desocupado e trancado, e sob responsabilidade de Ângela.
Ela foi presa em flagrante e conduzida ao sistema prisional, enquanto Matheus e Letícia fugiram para o Rio Grande do Sul. Porém, o casal foi preso nesta sexta-feira, dia 13, na cidade de Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre, por policiais rodoviários federais.
Participação de outras delegacias na investigação
As investigações sobre os crimes (latrocínio e ocultação de cadáver) tiveram os importantes apoios da Delegacia de Polícia de Pessoas Desaparecidas – DPPD, da 8ª Delegacia de Polícia de Florianópolis (Ingleses), da Delegacia de Polícia de São João Batista, e da Polícia Rodoviária Federal.
De acordo com a Polícia Civil, as buscas continuam para tentar localizar outras partes do corpo de Luciani, jogados no córrego, além de colher mais elementos comprobatórios. Porém, a dinâmica, a autoria do crime e a ocultação de cadáver já foram esclarecidos. O possível envolvimento dos autores em outros crimes também será verificado pela Polícia Civil de Santa Catarina, que conseguiu solucionar o caso 72 horas depois da família registrar o boletim de desaparecimento de Luciani.
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Familiares desconfiaram das mensagens enviadas do celular de Luciani contendo muitos erros de português (Rede social)
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