Evento acontece nesta quinta-feira, na Câmara de Vereadores

R.V, hoje com 30 anos, carrega as marcas de mais de duas décadas de violência doméstica. Dos 8 aos 29 anos, sofreu agressões dentro da própria casa até que, incentivada por uma das filhas, decidiu denunciar o agressor. Foi então que descobriu que a filha mais nova também era vítima de abuso sexual cometido pelo mesmo agressor.

“Hoje eu tenho depressão, ansiedade e cicatrizes que nunca vão desaparecer da minha vida e da vida da minha filha. Só quem já passou por isso sabe o sofrimento, a dor e a revolta. Eu digo a todas as mulheres: denunciem”, desabafa.

Ela conta ter recebido apoio dos órgãos de segurança pública e de pessoas próximas, que lhe estenderam as mãos, mas cobra da justiça que o seu algoz pague por tudo o que fez. “Esses pedófilos não podem ficar soltos. Sei que nada vai amenizar a dor que eu e minha filha carregamos dentro de nós, mas quero que ele pague pelo que fez”, afirma.

O relato se soma a um cenário preocupante. A violência contra a mulher segue como uma das principais violações de direitos humanos no Brasil, manifestando-se de forma física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Muitas vezes, ocorre no ambiente doméstico, dificultando a denúncia. Na Comarca de Gaspar, cerca de 70% das ocorrências estão relacionadas à violência doméstica. Para enfrentar esse ciclo de silêncio, o mês de agosto é marcado pela campanha Agosto Lilás, que reforça a importância da Lei Maria da Penha, sancionada em 2006. A cor lilás simboliza a luta feminista e os direitos das mulheres. Ao longo do mês, instituições públicas e privadas realizaram palestras, rodas de conversa, campanhas nas redes sociais e a iluminação de prédios, além de divulgar os canais de denúncia.

Gaspar

Em Gaspar, a OAB Subseção tem promovido diversas ações voltadas ao enfrentamento da violência doméstica. No próximo dia 28, a partir das 19h, na Câmara de Vereadores de Gaspar, as comissões OAB por Elas e Comissão da Mulher Advogada realizam uma palestra destinada a autoridades, empresários e entidades locais, com foco na conscientização sobre acolhimento e tratamento das vítimas. Na ocasião, também serão apresentados números que colocam a comarca de Gaspar no segundo lugar entre as mais violentas do Vale Europeu, considerando dados do IBGE e do Observatório da Violência contra a Mulher.
As iniciativas, segundo a OAB, têm como objetivo mobilizar a sociedade e fortalecer políticas públicas de proteção, reforçando que a violência contra a mulher não é um problema individual, mas uma questão coletiva que exige enfrentamento contínuo.

Das 120.611 ocorrências contra as mulheres registradas em 2023, 27% aconteceram na região do Vale do Itajaí, 21% no Oeste, 16% na Grande Florianópolis, 15% no Norte, 15% no Sul e 6% na Serra. Com uma população estimada de 7.610.361 habitantes, segundo o Censo de 2022 do IBGE, o índice médio no Estado foi de 15,84 crimes a cada mil pessoas.

Disque 180

Dispositivo central na estratégia de enfrentamento da violência contra a mulher no país, a Central de Atendimento à Mulher — Ligue 180 totalizou, em 2024, 17.185 atendimentos registrados em Santa Catarina, um aumento de 15,5% em relação ao ano anterior, quando 14.875 foram computados. No ano passado, no estado catarinense, ainda houve aumento de 12,3% no número de denúncias, passando de 3.568 em 2023 para 4.029 em 2024. Desse total, 3.570 foram recebidas por telefone e 370 por WhatsApp.

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