Douglas Junkes afirma que o título de “Capital Nacional da Moda Infantil” é inquestionável, porém é preciso agregar valor. “O fato é que somos a capital da “produção”, o que nos enche de orgulho e é algo que já consolidamos e nos afirmamos no mercado nacional levando nosso produto a ser referência de qualidade”. Porém, o líder empresarial chama atenção para a questão “moda” como uma grande oportunidade de agregar valor ao produto. “Mais da metade do que produzimos é direcionado aos grandes magazines, ou seja, só produzimos aqueles modelos que recebemos prontos. Ao meu ver, a oportunidade e o desafio está em agregarmos valor ao que é produzido aqui”. Junkes entende que uma certificação ou selo de qualidade é um primeiro passo, porém, para a cidade se tornar referência é necessário que todos os setores econômicos, capitaneados pelo poder público, se unam. “Investir num ponto comercial é o pontapé inicial para o nosso comércio expor o que é fabricado”, afirma. Junkes cita os exemplos próximos: Brusque e Ilhota. “Ou miremos mais longe, sem citar o Brás (em São Paulo-SP), mas Goiânia ou Caruaru, verdadeiros polos de vestuário. O de Caruaru possui mais de 10 mil lojas. Mas todos têm em comum no seu plano inicial a coordenação do poder público, pois ele tem condições de chamar todos ao redor de uma mesa para conversar e mostrar o caminho”, enfatiza. Junkes propõe a criação de eventos relacionados à moda infantil como feiras, fóruns, palestras, tendências de moda... “Bons exemplos a copiar no próprio Brasil não nos faltam”, acrescenta.
O presidente da Associação Empresarial de Gaspar (Acig), Edemar Ênio Wieser, lembra que logo após a conquista do título a entidade preparou, juntamente com mais de 50 pessoas ligadas ao setor empresarial e público, um documento contendo os pilares e as diretrizes que servirão como “norte” para a execução das ações pelo poder público. O documento foi entregue ao prefeito Kleber Wan-Dall em meados de 2022. “Entendemos que são direcionamentos de médio e longo prazos, mas que precisam pautar os diálogos e encaminhamentos públicos para a sua execução. A Acig tem pleiteado, desde então, de forma recorrente, que as diretrizes apresentadas no documento comecem a se tornar evidentes para o empresariado e comunidade, trazendo reflexos positivos para a economia gasparense”, destaca Wieser.
Ele não tem dúvida de que o título de “Capital Nacional da Moda Infantil” é uma oportunidade de progresso e fortalecimento para diversos setores da economia local, mas precisa que cada parte da engrenagem coopere para o bem comum. “Nunca foi tão verdade a famosa frase “a união faz a força. O espírito de associativismo e de cooperativismo nunca andaram tão juntos na história de Gaspar. Esse é o propósito da Associação Empresarial de Gaspar, congregar para o interesse do coletivo, ser a voz do empresariado e criar ações que proporcionem o fomento da economia local”, finaliza.

“A Rollu contrata profissionais, às vezes até sem experiência, mas opta por desenvolver e treinar para o cargo”.

Franciane Merlo Vargas
Administradora Rollu

Os números de novas empresas abertas apenas este ano em Gaspar comprovam o desenvolvimento da cidade, porém o setor que deu um novo “up” para o município foi o têxtil. Isso porque no dia 15 de junho de 2022 foi sancionada a Lei 4.319/2019, que dá à cidade o título de “Capital Nacional da Moda Infantil”.
O título é um importante reconhecimento para Gaspar que tem quase 40% do seu Produto Interno Bruto (PIB) oriundo do setor. Além disso, segundo levantamento da prefeitura de Gaspar, são aproximadamente 870 empresas de confecção, sendo 480 facções e 85 tinturarias, fiações, tecelagem e outros. Há, ainda, milhares de facções terceirizadas. Dos 14.469 trabalhadores da indústria, 5.611 trabalham em confecção de artigos de vestuários e 3.451 trabalham na fabricação de produtos têxteis.
Apesar do grande número de trabalhadores na indústria têxtil, a área tem um desafio permanente e que se torna ainda mais evidente com o título: a falta de mão de obra qualificada, que impacta diretamente no dia a dia das empresas.
O empresário Brunno Medeiros, sócio da Ralakids Confecções, que há 21 anos produz moda infantil, emprega cerca de 50 colaboradores diretos e 40 terceirizados. Ele diz que para driblar o problema da falta de mão de obra, muitas vezes é necessário buscar em outros Estados e até outros países. “Muitas empresas buscam essa mão de obra fora. A gente vê a Ásia trazendo muito produto para cá. Devido à quantidade de pessoas e a quantidade de mão de obra que eles têm lá, é o diferencial deles, muita gente para trabalhar”, afirma.
O empresário também conta que muitas áreas da empresa já usam tecnologia para melhorar o serviço, mas a confecção ainda necessita de mão de obra humana. “Você não consegue um robô que costure a peça. Até existem alguns equipamentos, que são caríssimos, que resolvem alguma coisa em relação à expedição, mas uma revisão de peça, por exemplo, tem que ser o olhar humano. Podemos ter uma máquina de corte automática, mas precisa do operador, hoje não é mais o talhador, mas é um operador de máquina. Todos os setores ainda precisam de uma pessoa. Tem tecnologia que acelera o processo, mas a gente sempre vai precisar do ser humano com qualificação para fazer um bom trabalho”, acredita Medeiros.



 Na Confecções Rollu, há 33 anos no mercado com coleção própria, capacitação e qualificação dos colaboradores e profissionais que chegam sempre foi um investimento. Quem afirma é a administradora da empresa Franciane Merlo Vargas. “Todas as pessoas que chegam à empresa para uma entrevista de emprego ou para entregar um currículo são atendidas pelo setor de RH, então, todos os dias recebemos uma oferta considerável de currículos”, revela. Segundo ela, a Rollu contrata profissionais, às vezes até sem experiência, mas opta por desenvolver e treinar para o cargo, e com treinamentos externos especializados no IFSC e outras instituições. “E claro, buscamos também por profissionais já qualificados, mas a empresa tem esse cuidado com o desenvolvimento diário para realmente ter uma qualificação na mão de obra; nessa mesma linha, nosso diretor Roberto de Souza enfatiza essa prática diária na gestão humana, que é o nosso maior patrimônio”, enfatiza Franciane.
O presidente da Associação de Micro e Pequenas Empresas (Ampe) de Gaspar, Douglas Junkes, observa que o problema de falta de mão de obra qualificada é mundial, o que faz com que as grandes empresas busquem trabalhadores em outros países. “A África é a bola da vez, Etiópia, um dos países mais pobres do mundo é um grande exemplo. Lembrando que na última década isso se sucedeu na Ásia”, assinala Junkes.
Para ele, é necessário dividir a mão de obra em gestão e operacional. Ambos segmentos, porém, exigem os mesmos cuidados e atenção, ou seja, formação qualificada. “É um assunto complexo, pois temos excesso de oferta de mão de obra (não qualificada), além de uma burocracia trabalhista que inibe todo e qualquer esforço empresarial”, avalia o líder empresarial. Ele vê a burocracia como o maior problema. “Os casos escabrosos que encontramos nos RH’s das empresas diariamente encheriam as folhas de um jornal. Temos localmente o IFSC, que atua diretamente sobre esse problema com excelente laboratório de moda e corpo técnico de ótimo nível especializado em vestuário, mas, ao meu ver, ainda pouco utilizado pelos empresários e, principalmente, seus colaboradores”, afirma Junkes. Ele lembra que o IFSC tem formação técnica e superior além de cursos rápidos de aperfeiçoamento, todos gratuitos.


“A Rollu contrata profissionais, às vezes até sem experiência, mas opta por desenvolver e treinar para o cargo”.

Franciane Merlo Vargas
Administradora Rollu



Capital Nacional da Moda Infantil. E agora?

Douglas Junkes afirma que o título de “Capital Nacional da Moda Infantil” é inquestionável, porém é preciso agregar valor. “O fato é que somos a capital da “produção”, o que nos enche de orgulho e é algo que já consolidamos e nos afirmamos no mercado nacional levando nosso produto a ser referência de qualidade”. Porém, o líder empresarial chama atenção para a questão “moda” como uma grande oportunidade de agregar valor ao produto. “Mais da metade do que produzimos é direcionado aos grandes magazines, ou seja, só produzimos aqueles modelos que recebemos prontos. Ao meu ver, a oportunidade e o desafio está em agregarmos valor ao que é produzido aqui”. Junkes entende que uma certificação ou selo de qualidade é um primeiro passo, porém, para a cidade se tornar referência é necessário que todos os setores econômicos, capitaneados pelo poder público, se unam. “Investir num ponto comercial é o pontapé inicial para o nosso comércio expor o que é fabricado”, afirma. Junkes cita os exemplos próximos: Brusque e Ilhota. “Ou miremos mais longe, sem citar o Brás (em São Paulo-SP), mas Goiânia ou Caruaru, verdadeiros polos de vestuário. O de Caruaru possui mais de 10 mil lojas. Mas todos têm em comum no seu plano inicial a coordenação do poder público, pois ele tem condições de chamar todos ao redor de uma mesa para conversar e mostrar o caminho”, enfatiza. Junkes propõe a criação de eventos relacionados à moda infantil como feiras, fóruns, palestras, tendências de moda... “Bons exemplos a copiar no próprio Brasil não nos faltam”, acrescenta.
O presidente da Associação Empresarial de Gaspar (Acig), Edemar Ênio Wieser, lembra que logo após a conquista do título a entidade preparou, juntamente com mais de 50 pessoas ligadas ao setor empresarial e público, um documento contendo os pilares e as diretrizes que servirão como “norte” para a execução das ações pelo poder público. O documento foi entregue ao prefeito Kleber Wan-Dall em meados de 2022. “Entendemos que são direcionamentos de médio e longo prazos, mas que precisam pautar os diálogos e encaminhamentos públicos para a sua execução. A Acig tem pleiteado, desde então, de forma recorrente, que as diretrizes apresentadas no documento comecem a se tornar evidentes para o empresariado e comunidade, trazendo reflexos positivos para a economia gasparense”, destaca Wieser.
Ele não tem dúvida de que o título de “Capital Nacional da Moda Infantil” é uma oportunidade de progresso e fortalecimento para diversos setores da economia local, mas precisa que cada parte da engrenagem coopere para o bem comum. “Nunca foi tão verdade a famosa frase “a união faz a força. O espírito de associativismo e de cooperativismo nunca andaram tão juntos na história de Gaspar. Esse é o propósito da Associação Empresarial de Gaspar, congregar para o interesse do coletivo, ser a voz do empresariado e criar ações que proporcionem o fomento da economia local”, finaliza.



Pontapé inicial

O prefeito de Gaspar, Kleber Wan-Dall afirmou que a prefeitura já deu os primeiros passos para tornar o título de Capital Nacional da Moda Infantil mais evidente. Uma identidade visual foi desenvolvida. “Temos displays de mesa e botons que nós presenteamos várias autoridades, para fortalecer essa identidade. Nós também estamos finalizando um projeto de revitalização da Praça Getúlio Vargas e vamos incluir essa temática da Capital Nacional da Moda Infantil, inclusive o mirante vai receber um letreiro com as cores e tudo que remete a essa identidade”, garante o chefe do executivo.
Wan-Dall ainda afirma que a marca é domínio público e que qualquer empresário, mesmo que não seja da área têxtil, pode usá-la. Outra iniciativa da Prefeitura é de em outubro, mês das crianças de das festas típicas da região, com grande circulação de turista, promover um evento ou feira na cidade. “Mas isso é tudo embrionário, nós precisamos lapidar essa ideia, pois ela não depende só da prefeitura, também precisa da adesão da classe empresarial”, argumenta.






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