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Os novos impostos devem impactar diretamente no custo do frete, a partir de 2027 (Fotos: anatc)
Estudo projeta impacto superior a R$ 144 milhões com o novo tributo federal que substiuirá o PIS e Cofin
A seis meses do início da fase de transição da Reforma Tributária, prevista para janeiro de 2027, transportadoras que atuam no agronegócio começam a calcular os impactos das novas regras. Um estudo da consultoria Rumo Brasil projeta um aumento médio de 414,44% na carga tributária dessas empresas apenas com a implementação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo federal que substituirá PIS e Cofins.
O levantamento chega em um momento delicado para a cadeia logística do agro. Em entrevista concedida à Agência Transporte Moderno em abril, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), Lucas Costa Beber, afirmou que a compra de caminhões deixou de ser prioridade para muitos produtores rurais. Segundo ele, os juros elevados e o aumento do custo do crédito reduziram a capacidade de investimento do setor, levando ao adiamento da renovação da frota.
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“O que seria lucro do produtor hoje está sendo consumido pelo pagamento de juros”, afirmou Beber na ocasião. Segundo ele, muitos produtores passaram a direcionar recursos para manter a operação e renegociar dívidas, adiando investimentos em máquinas e caminhões.
Agora, a perspectiva de aumento da carga tributária sobre as transportadoras adiciona uma nova variável ao planejamento financeiro da cadeia logística do agronegócio.
Impacto superior a R$ 144 milhões
O estudo da Rumo Brasil foi desenvolvido ao longo de três meses com base em dados reais de empresas associadas à Associação Nacional das Empresas Agenciadoras de Transporte de Cargas (ANATC), incluindo algumas das maiores transportadoras do país. Foram analisadas obrigações acessórias, documentos fiscais, demonstrações contábeis e controles internos referentes às operações realizadas em 2025. As empresas avaliadas somam R$ 6,6 bilhões em faturamento anual e aproximadamente R$ 5 bilhões em subcontratações.
Considerando exclusivamente os efeitos da CBS, a consultoria estima um impacto financeiro superior a R$ 144 milhões. “O debate sobre a Reforma Tributária tem sido marcado por muitas interpretações e projeções, mas ainda havia pouca informação baseada em dados concretos das empresas. Nosso objetivo foi justamente transformar essa discussão em números, permitindo que o setor compreenda, de forma prática, os efeitos da nova legislação sobre suas operações”, afirma Rafael Brito, CEO da Rumo Brasil.
Subcontratação explica maior parte do aumento
Segundo o levantamento, o principal fator para o crescimento da carga tributária está na própria estrutura operacional do transporte rodoviário de cargas voltado ao agronegócio. Boa parte das operações é realizada por meio de subcontratação de transportadores, característica que altera significativamente o aproveitamento de créditos fiscais previsto na nova legislação.
“A subcontratação é uma característica estrutural do transporte rodoviário de cargas, especialmente no agronegócio. Quando a dinâmica de aproveitamento desses créditos muda, o impacto financeiro se torna bastante relevante para empresas que já operam com margens reduzidas e elevada pressão por eficiência”, explica Brito.
Embora o estudo considere apenas a CBS, sem incluir o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que será implantado gradualmente, os números já despertam preocupação entre empresas que dependem de margens reduzidas para operar.
Mudança vai além dos impostos
A consultoria ressalta que a adaptação das empresas não ficará restrita ao aumento da tributação. O novo modelo exigirá maior controle documental, revisão de processos internos e mudanças na gestão fiscal das operações. Cada contratação, documento fiscal e operação passará a influenciar diretamente a apuração dos tributos e o aproveitamento de créditos.
Na avaliação da Rumo Brasil, empresas que iniciarem esse processo de adaptação antes da entrada em vigor das novas regras terão melhores condições de reduzir riscos e preservar a competitividade. “A Reforma Tributária representa uma transformação que vai muito além do pagamento de impostos. As empresas precisarão revisar processos, contratos e estratégias para se adaptar a um ambiente mais complexo. Quanto antes essa preparação começar, maiores serão as condições de reduzir riscos e preservar a competitividade”, afirma Brito.
Reflexos em toda a cadeia
Como o transporte rodoviário responde pelo escoamento da maior parte da produção agrícola brasileira, o aumento dos custos tende a repercutir em toda a cadeia logística. Segundo a consultoria, embarcadores, indústrias e distribuidores poderão absorver parte desse aumento, que, posteriormente, poderá chegar ao consumidor final.
A combinação entre um cenário de crédito ainda caro, menor ritmo de investimentos no campo e a adaptação às novas regras tributárias coloca mais um desafio para um setor considerado estratégico para o agronegócio brasileiro. Embora a regulamentação da Reforma Tributária ainda esteja em andamento, as empresas já iniciam os cálculos para entender como a nova estrutura tributária poderá afetar sua competitividade e sua capacidade de investimento nos próximos anos.
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