Nunca o futebol, como manifestação popular, pode perder o seu encanto e brilho pelo temor da violência. Nesta semana, isto quase aconteceu. A Brigada Militar do Rio Grande do Sul determinou que o clássico Gre-Nal de domingo (4), o primeiro na Arena do Grêmio, fosse jogado com uma torcida só. Felizmente, a decisão foi revertida depois que a Brigada e as diretorias dos dois clubes chegaram a um entendimento. Diminuiu-se a cota de ingressos dos visitantes (5% para 2,5%) e haverá uma escolta especial para a torcida colorada.
É admissível a preocupação da polícia com a segurança das pessoas, porém, jamais pode apontar quem deve ou não assistir a um espetáculo de futebol, principalmente porque se trata de evento privativo.
E aí está o ponto onde quero chegar. Como se trata de um jogo de futebol em um estádio particular, a segurança interna não deveria ser responsabilidade dos órgãos de segurança pública. Se o torcedor paga ingresso, a segurança deveria ser contratada pelo dono do espetáculo. Neste caso, caberia a Polícia Militar tão somente a segurança externa, como vai acontecer na Copa do Mundo.
O Estatuto de Defesa do Torcedor é claro em seu artigo primeiro: “A prevenção da violência nos esportes é de responsabilidade do poder público, das confederações, federações, ligas, clubes, associações ou entidades esportivas, entidades recreativas e associações de torcedores, inclusive de seus respectivos dirigentes, bem como daqueles que, de qualquer forma, promovem, organizam, coordenam ou participam dos eventos esportivos”. Só no papel. A segurança de fato, ou seja, dos torcedores é feita unicamente pela polícia militar. A segurança contratada cuida dos atletas, dirigentes e convidados especiais. Está mais do que na hora de se rever essa situação, pois quando se coloca 400 policiais militares de plantão em um estádio de futebol, como vai acontecer no domingo em Porto Alegre, deixa-se de cuidar da segurança em outras áreas da cidade
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