A conexão que o brasileiro precisa entender para cuidar melhor do próprio dinheiro. Torcer por um Brasil melhor é o desejo de todos. Mas torcer sem entender como as escolhas políticas impactam diretamente o nosso bolso é torcer no escuro. Esta semana, os dados do mercado financeiro nos deram uma aula prática — e ela merece atenção. No primeiro pregão após o 1º turno, em 5 de outubro, o Ibovespa disparou 7,7% e ultrapassou pela primeira vez os 200 mil pontos. O dólar despencou mais de 4% e voltou a ser negociado abaixo de R$ 5. A expectativa do mercado era de um cenário favorável ao ajuste fiscal. Os investidores apostaram — e o mercado reagiu antes mesmo de saber quem seria o presidente. No domingo, 25 de outubro, Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, numa virada histórica — foi a primeira vez que um candidato que terminou o 1º turno em segundo lugar venceu o 2º.

E aí veio a resposta do mercado: na segunda-feira (26), o Ibovespa despencou 13,88% — a maior queda em uma sessão pós-eleição presidencial desde 2002. O dólar disparou 8,2%, fechando cotado a R$ 5,40. O mecanismo de proteção da bolsa, chamado circuit breaker, foi acionado para conter o colapso nos primeiros minutos do pregão. Por que o mercado reage assim? A resposta não é política — é matemática. Quando há dúvida sobre o controle dos gastos públicos, o capital internacional foge do Brasil.

Investidores estrangeiros retiram recursos, o dólar sobe, os juros futuros sobem junto — e o crédito para empresas e pessoas físicas encarece. Além disso, com a Selic em 13,75% ao ano, o empresário brasileiro não precisa arriscar capital em máquinas, contratações e expansão: o dinheiro aplicado em renda fixa já rende bem, com muito menos risco. Isso retrai o investimento produtivo, desacelera a economia e pressiona o emprego. A cadeia é invisível — mas termina bem visível: na prestação do financiamento, no preço dos produtos, na conta do supermercado e na vaga de emprego que não foi criada. Não existe como separar política de economia. Um governo que amplia gastos sem geração correspondente de receita pressiona a dívida — já em R$ 10 trilhões — e exige juros mais altos para continuar sendo financiado. O contribuinte paga essa conta. Entender isso não é ser técnico. É ser cidadão consciente do próprio bolso.

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