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mercado e negócios (Fotos: Vanessa)
Enquanto você lê este texto, 450 mil bancários brasileiros estão em uma queda de braço com as maiores instituições financeiras do país. A disputa é por algo básico: reajuste salarial que ao menos repõe a inflação. E o desfecho desta batalha, acredite, afeta muito mais do que os funcionários dos bancos — ela revela algo sobre o Brasil que todos nós precisamos entender. Os quatro maiores bancos do país — Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil — lucraram juntos R$ 107,8 bilhões em 2025. Só o Itaú, sozinho, registrou lucro recorde de R$ 46,8 bilhões — mais do que o Bradesco e o Santander somados. Para dimensionar: é como se o maior banco privado do Brasil tivesse faturado um lucro equivalente ao PIB de vários estados brasileiros em apenas doze meses. Diante desse cenário, a categoria foi à mesa de negociação pedir reposição integral da inflação — estimada em 4,13% até setembro — mais 5% de aumento real. A resposta dos bancos, depois de dez rodadas de negociação e uma paralisação nacional de 24 horas no dia 20 de agosto, foi uma proposta de 2,57% — o equivalente a 62% da inflação prevista. Na prática: perda salarial real de 1,5%. Os representantes dos trabalhadores classificaram a oferta como uma das piores apresentadas por um setor lucrativo em 2026 — e a rejeitaram. Mas há um detalhe que transforma essa disputa em um espelho do Brasil atual. Diferente das grandes greves bancárias do passado, quando fechar uma agência significava paralisar a vida financeira de uma cidade inteira, hoje os caixas eletrônicos continuam funcionando, o Pix não para, os aplicativos respondem. O trabalhador cruzou os braços — e o banco seguiu operando. Isso levanta uma questão incômoda: em um setor cada vez mais digital, qual é o real poder de pressão de quem trabalha presencialmente? A data-base é 1º de setembro. As negociações continuam. E o que se desenha não é apenas uma disputa salarial — é um retrato fiel de um desequilíbrio que atravessa toda a economia brasileira: lucros recordes de um lado, trabalhador pedindo para não perder poder de compra do outro. Para o leitor comum, a reflexão que fica é simples: quando o setor mais rentável da economia não consegue reajustar seus funcionários acima da inflação, o que podemos esperar das negociações em setores menos lucrativos? O termômetro dos bancários mede a febre de todos nós.
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