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(Fotos: Jornal Metas)
Grasiela revela desde a infância, o talento para a escrita
Por entre suas muitas ruas, virando esquinas, em uma ou outra casa, Gaspar abriga talentos que a própria cidade desconhece. Guarda também belas histórias de coragem e persistência dignas de estampar as páginas dos jornais de todo o país. No Bela Vista, pode-se encontrar uma dessas histórias: a da escritora e poetisa Grasiela Pacheco. Nos seus 30 anos de vida, ela já se deparou com muitos desafios. Grasiela nasceu prematura, no sétimo mês de gestação. Devido à falta de oxigênio no período em que foi retirada do útero da mãe, até ser colocada em uma estufa, o pequeno bebê sofreu uma paralisia cerebral cruzada. Esse problema foi identificado meses mais tarde e afetou o funcionamento da mão direita e da perna esquerda.
Por causa disso, Grasiela nunca pode andar. Ela tinha apenas sete anos quando passou pela sua primeira cirurgia. Dali até os seus 19 anos, a escritora se submeteu a outros três procedimentos cirúrgicos. Com a ajuda de fisioterapia, conseguiu sentar e adquirir certo equilíbrio, para não ficar apenas deitada.
Ainda assim, a moça conseguiu estudar. Adorava a escola. Na sala de aula revelou os primeiros sinais do amor e do talento para a escrita, apesar de ter sofrido discriminação na escola, pela própria professora. “Segui com os estudos graças à insistência de minha mãe”, lembra a poetisa. Mas, quando Grasiela tinha 12 anos, sua mãe faleceu de insuficiência renal, e ela acabou abandonando os estudos. Somente quatro anos depois, voltou a estudar. “Lá eu comecei a participar de eventos do colégio e assim comecei a escrever”, conta Grasiela. Mesmo depois de concluir o segundo grau, ela não deixou de produzir seus textos e poemas. Chegou até a escrever para o jornal O Município da cidade de Brusque, cidade onde morava. “Também escrevi para rádios, nos programas românticos”, afirma.
Assim, por intermédio dos colegas da rádio, ela realizou o sonho de conhecer o seu ídolo, o cantor sertanejo Daniel. “Ganhei uma rosa branca que ele dava às fãs durante o show e também a toalha que ele usava. Mas, a foto que tirei com ele queimou”, conta.
Então, para compensar, ela ganha todos os anos um cartão da produção do cantor, com uma foto dele e os votos de felicidades.
O sonho
O maior sonho de Grasiela é cursar a faculdade de Jornalismo. Porém, como não tem como se locomover até uma universidade, o sonho vai sendo adiado. A moça, que hoje mora com o pai e a madrasta, anda em cadeira de rodas e precisa de auxílio para ir ao banheiro e fazer outros movimentos. Para poder realizar seu sonho, a escritora faz uma sessão de fisioterapia por semana, benefício fornecido pela Secretaria Municipal de Saúde. Nos outros dias, ela repete os exercícios por conta própria, visto que a sessão semanal não é suficiente para que Grasiela alcance o resultado que tanto espera. “Estou tentando conseguir com o fisioterapeuta uma possibilidade de fazer mais uma sessão com ele na clínica. Mas ainda não sei se será possível”, relata. Ainda assim, a poetisa não desiste. Ela conta que, segundo o fisioterapeuta, nesses meses de tratamento ela já obteve progresso. Por isso, Grasiela acredita que logo conseguirá andar. “Aí não terei mais o problema da locomoção e poderei fazer a faculdade”, afirma. Outra opção que ela está analisando é a de fazer faculdade pela internet. Foi mais ou menos assim que ela concluiu o segundo grau. Enquanto isso, Grasiela segue escrevendo sobre todos os temas que têm vontade, ou que é solicitada. “Onde vou, tenho um caderno por perto, para escrever quando me dá vontade”, diz. Às vezes, sentada em frente à televisão, durante os intervalos comerciais ela se inspira e escreve. Foi assim que ela escreveu um texto sobre a enchente, que foi lido pela professora das aulas de artesanato, que Grasiela também frequenta. A professora fez com que os textos chegassem à redação do Jornal Metas, e um deles, sobre a felicidade, foi publicado. Quem olha hoje para Grasiela, e vê suas expressões de determinação e esperança, entende perfeitamente o significado da frase com que a escritora encerra um de seus textos, sobre a enchente: “De nós dependerá um final feliz”.
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