“Chegou a turma do funil/todo mundo bebe, mas ninguém dorme no ponto/Ah, ah, mas ninguém dorme no ponto/Nós é que bebemos e eles que ficam tontos”.
Embalados por esta marchinha de Carnaval, a Turma do Funil formava um dos blocos do grandioso Carnaval do Alvorada, nos idos anos 1980. Era uma turma que estudava junto e se reunia sempre na casa de dona Maria Deggau, na Margem Esquerda, e seguia caminhando pela rua para o Alvorada. “Esse era o nosso esquenta - como os jovens dizem hoje. Escolhemos esse nome porque todo mundo gostava de beber bastante e até nossos porta-bandeiras eram dois garrafões de cachaça”, lembra Silda Maria Schmitz Knuth, 51 anos, ex-integrante do bloco.
O bloco tinha aproximadamente 34 pessoas e todas iam com um macacão de manga longa e máscaras, para não serem reconhecidas. Os integrantes dos blocos chegavam
Havia dois dias em que não era obrigatório o uso desta vestimenta e era então que todos caprichavam na fantasia. A festa acontecia de sexta a quarta-feira e o baile ia das 19h às 24h. Muitas vezes, nem os próprios integrantes dos blocos conseguiam se reconhecer devido às máscaras e ao macacão. “A gente ia pra festa todos os dias e nunca deixava de ir trabalhar por isso. Na quarta-feira, a gente conhecia quem ia levar o prêmio de bloco mais animado. Muitas vezes, foi a nossa turma que ganhou”, comenta Silda. Seu marido e já namorado naquela época, Alcides Knuth, de 52 anos, fazia parte do Alvorada Júnior, responsável pela organização do baile.
Dois meses antes da data, já havia a preocupação com a decoração e detalhes da festa. As tradicionais marchinhas embalavam os blocos gasparenses e de outros municípios. “Havia um grande bloco que vinha todo o ano de Ilhota, tinha umas 40 ou 50 pessoas. O carnaval do Alvorada era muito esperado, vinha gente da sociedade de toda a região”. Alcides conta que, após o fim do Alvorada Júnior, acabou-se também o Baile de Carnaval do Alvorada. Silda comenta que ficaria feliz que alguém buscasse resgatar os bailes de carnaval da sociedade. “Por alguns anos existia o baile infantil de carnaval. Minha juventude foi no Alvorada, então sinto muita pena quando olho para o clube e vejo que não há mais aqueles famosos bailes de carnaval e de debutantes”, lamenta.
Odalê Vanzuita, 54 anos, guarda com muita saudade as fotos da época em que pulava o carnaval no Alvorada (fotos ao lado). Seus pais faziam parte da diretoria do clube e o seu avô foi um dos sócios-fundadores. As festas da sociedade eram de grande importância para a família.
O bloco de Odalê mudava de nome todos os anos e sempre tinham relação com a fantasia escolhida. Em uma edição da festa, por exemplo, foi o bloco das Odaliscas. “Era tudo na brincadeira, pulávamos carnaval sem malícia. Durante o baile, a gente conhecia muita gente nova. Quem era de Gaspar convidava seus parentes e amigos de outras cidades, por isso vinha gente até de Curitiba para o baile do Alvorada, que tinha um grande conceito na região”, recorda Odalê. Ela também lamenta que não haja mais bailes como estes em Gaspar, mas acredita que dificilmente o Alvorada voltará a ser o que era em seus anos de ouro.
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