Maria, 85 anos já fez muitos vestidos de noiva em Gaspar

No Gasparinho vive uma costureira que já foi muito requisitada na cidade. Maria de Jesus Krauss dedicou boa parte da sua vida à costura. Ela fez muitos vestidos de noiva e ainda hoje, aos 85 anos, faz algumas roupas para a família e pessoas mais chegadas.
Maria começou a costurar aos 11 anos de idade, fazendo roupas para trabalhar na roça, tanto para ela, como para as irmãs. Toda a família trabalhava na roça, mas Maria não gostava do serviço. “Eu queria ser professora, mas meu pai não permitia. Então, fui para a costura”, relata Maria, que estudou só até a quarta série primária. Mais tarde, então uma moça de 16 anos, ela foi aprender mais da arte de costurar. Sua professora foi Iria Schmitt. Daí para frente, Maria nunca mais parou de costurar.
Na época em que iniciou no ofício, só havia máquina tocada à manivela. Anos mais tarde é que surgiu a de pedal e só muito tempo depois a máquina a motor.  “Eu costurava para a cidade toda, fazia roupas para todas as idades”, conta Maria. Ela ensinou as irmãs a costurar, mas nenhuma quis seguir o seu caminho. Maria também ensinou outras moças da cidade.
Foi a talentosa costureira quem fez os vestidos de casamento de todas as irmãs, bem como das cunhadas. “Só não fiz o meu porque diziam que dava azar”, diverte-se a costureira. Maria casou-se aos 20 anos com Osvaldo Krauss, mais conhecido como Bubi, e, no ano seguinte, teve o primeiro de onze filhos.
Durante dez anos ela morou próxima à Igreja Luterana de Gaspar, na entrada do Gasparinho. Até que o marido resolveu ocupar uma das terras da família no Gaspar Mirim, perto de onde hoje é a Cohab. “Eu já tinha então muitas clientes e achei que a costura iria acabar para mim, pois não acreditava que as senhoras viriam tão longe para fazer roupas”, conta.
Para sua surpresa, a clientela não a abandonou. “Eu já havia até comprado material para bordar, estava conformada. No fim, nunca peguei num bordado”, recorda. Algumas clientes ainda hoje mandam fazer vestidos com dona Maria. Uma delas encomendou um vestido para o casamento de uma neta, há apenas alguns meses. “Nem sei como dei conta, porque eu não tinha empregada. Criei os onze filhos com a costura e ainda ajudava o marido na venda que tínhamos”, relata Maria.
A costureira nunca hesitou em aprender a fazer um modelo novo. “Quando era uma costura difícil, diferente, eu não parava de tentar até conseguir”, afirma. Dona Maria estava sempre buscando aprender coisas novas, tirava modelos de revistas, criava modelos para as clientes e assim por diante. Até sutiã ela chegou a fazer, além de terninhos para os meninos usarem na primeira comunhão.
“Naquela época não existia nada disso, para termos as coisas, tínhamos que fazer”, lembra a costureira. Para ela, a vida hoje está muito mais fácil, mas as pessoas reclamam muito. “Não tínhamos água em casa, íamos ao ribeirão para lavar as roupas, sem falar em tantas outras dificuldades que enfrentávamos antigamente”, compara.
Dona Maria chegou a completar bodas de ouro com o marido, mas ele faleceu há 13 anos. Hoje, ela mora com uma filha e um filho. A casa fica na Rua Fernando Krauss, nome de seu sogro, que era o proprietário de toda a faixa de terra por onde passa a rua. Ela costura pouco, só para si, para as filhas e algumas clientes mais insistentes. E assim ela mantém a paixão de uma vida, a cada ponto que dá forma a belas roupas. A costureira (quase) aposentada frequenta o grupo de terceira idade do Gasparinho Quadro, do qual já foi eleita rainha por três vezes, mas o melhor título ainda não lhe deram: o de “Rainha da Costura”.
 

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