A paixão por barcos é antiga.Hoje ele constrói miniaturas
A paixão por barcos é antiga.Hoje ele constrói miniaturas
Quem ouve Teobaldo Isaias Garcia, 32 anos, falando do seu hobby preferido o compara a um menino empolgado com o primeiro brinquedo. Teo, como é conhecido na família e entre os amigos, é um engenheiro naval de miniaturas. Barcos de pesca são a sua especialidade. Há cinco anos ele se dedica ao passatempo de construir pequenas embarcações de papel. A paixão ele não sabe exatamente quando começou, mas deve ter sido antes de ele pronunciar as primeiras palavras. Teo lembra de ainda criança chegar à casa de praia dos avós, correr para o andar de cima e ficar da janela observando o mar à procura de embarcações. O caminhão que ganhou de presente de Natal do pai tinha a única finalidade de transportar latas de sardinhas, poleiros de gaiola de pássaros e outros objetos que se parecessem com um barco.
O Barquinho Amarelo foi o primeiro livro que Teo leu depois de alfabetizado. Talvez, a paixão tenha nascido neste dia. O jovem se transformou em um artista tão apaixonado pelo que faz que é capaz de invadir madrugadas criando suas pequenas embarcações. “É mais tranquilo trabalhar no silêncio da noite”, afirma.
A primeira embarcação Teo deu o nome de “Sonho de Menino”. “Conheci um carpinteiro em Itajaí que me deu várias dicas de como fazer os barcos, ele disse-me que achava Sonho de Menino um nome bonito para um barco. Pedi a ele para usá-lo no primeiro projeto”. Outro barco Teo homenageou as suas duas filhas, Lena e Isabela, batizando-o de Lenabela. A filha mais velha, Isabela, 7 anos, é ajudante e ao mesmo tempo aprendiz. A jovem passa horas ao lado do pai se divertindo com as pequenas invenções. Teo mora próximo a um ferro-velho. É de lá que traz a maioria dos objetos que usa para os detalhes finais: parafusos, fios de cobre e de telefone, canos de alumínio, antena de rádio e outros materiais descartáveis. A lista não para por aí: botão de roupa, roldana de esparadrapo, tampa de caneta, pote de margarina e haste de guarda-chuva. “O que encontro pela frente vou juntando”, conta. Já para montar a estrutura do barco (assoalho e quilha) ele usa papel, papelão e massa corrida. “No início, pensei em construir barcos de madeira, mas um conhecido me deu a ideia do papelão e da massa corrida, experimentei e deu certo”, relata Teo. A consistência é boa, tanto é verdade que ele sofisticou uma das embarcações, adaptando motor e controle remoto. O barco navegou muito bem na pequena lagoa próxima à sua casa, no bairro Margem Esquerda.
A cada projeto mais sofisticação
O engenheiro naval de pequenas embarcações não projeta nada no papel. “Já tentei desenhar o modelo antes, mas não dá certo. Pego o papel e vou dobrando até conseguir a forma do casco”, explica Teo. A cada projeto - e já foram mais de 20 – ele acrescenta mais detalhes, como a âncora, as bóias, a rede e até o balaio usado pelos pescadores para armazenar o peixe. A inspiração vem de livros sobre barcos e da ajuda de um primo que trabalha em navio de pesca e traz fotos das embarcações que cruza no mar e nos portos. As miniaturas são feitas sob encomenda para clientes, na maioria, de Itajaí e Navegantes. Um projeto demora, em média, de três a quatro meses para ser concluído, depende do grau de dificuldade – o barco a controle remoto levou um ano. Teo trabalha nos finais de semana e nas horas de folga. Durante o dia, atende no balcão da Padaria Vanzuita.
Como todo o bom marujo, ele pretende ser o capitão de um barco de verdade. “Sonhei que estava construindo um barco ao lado da minha casa. Tenho certeza que um dia esse sonho vai virar realidade”. O nome ele já escolheu: Sonho de Menino.
Deixe seu comentário