Em cada canto do quintal da casa de dona Hilda França Brassuani, de 81 anos, é possível perceber que tudo vira arte pelas mãos da moradora do bairro Barracão.
Seu rancho é uma espécie de ateliê, onde é possível encontrar todo o tipo de material que se pode imaginar. Papel de presente, sacolas plásticas, espuma de colchão, isopor... tudo isso reutilizado para fazer do material dispensável uma nova peça para enfeitar a casa e o jardim. O tempo passa rápido quando ela se dedica a estes afazeres, ela conta que muitas vezes já ficou até de madrugada em seu ranchinho, trabalhando nas novas criações. Embora possa fazer árvores com caixas de leite e de café e flores com papel de presente, ela ficou muito conhecida pela grande população de Papais Noel que toma conta de seu quintal perto do Natal. Ela guarda todos os bonecos que confeccionou em anos anteriores e acrescenta mais alguns, por isso, a quantidade cresce a cada ano.

No último Natal, havia 160 bonecos pelo quintal da casa. “O Papai Noel faço principalmente com espuma de colchão, uso um pano para fazer a cabeça e a roupa também sou eu que costuro. Mas tem bonecos de todos os tipos, de madeira e até mesmo dois manequins que meu filho me trouxe no ano passado viraram Papai Noel. Não os faço para vender, mas para enfeitar a casa”, conta a senhora.

Dona Hilda é a matriarca de uma família de 7 filhos: Laércia Fátima, José Ângelo, Maria Rosa, Valquíria Joana, Elígia Aparecida, Edenilse Ângela e Avelino Luiz (in memoriam). Tem ainda 13 netos e seis bisnetos. Sua família construída a base de muito sacrifício e trabalho.
Ela e o marido moravam em Botuverá, onde trabalhavam com cal, e vieram ao Barracão para trabalhar em uma olaria. Seu marido adoeceu e precisou de cuidados especiais. Para sustentar a casa, dona Hilda e as filhas faziam pequenos contratos com pessoas do bairro para trabalhar temporariamente na roça ou em outros trabalhos, como plantar mandioca. O filho mais velho foi trabalhar em Blumenau e suas filhas iniciaram muito cedo a trabalhar para ajudar no sustento da casa. “Todos trabalhavam para trazer comida para dentro de casa. Quando meu marido faleceu, há aproximadamente 33 anos, ele deixou uma dívida com o hospital e todos trabalharam para poder pagá-la. Enquanto criava meus filhos, o maior desafio era lidar com a miséria. Hoje tinha o que comer, amanhã não se sabia”, revela.Hoje ela mora com uma filha, um neto e tem ainda a companhia de três gatos e três cachorros.

Seu tempo livre é dedicado a suas criações, atividade que é incentivada pela família. Quase todos os seus filhos casaram com pessoas da região do Bateias e Barracão e vivem até hoje perto da mãe. “Minha maior alegria é quando todo mundo se junta, fazem uma baderna. Quase todos os sábados ou domingos a noite a família aparece para fazer comida ou para ficar um pouco por aqui. Afinal, é a casa da avó”.

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