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Diz-se que a depressão é o mal do século, porém há muitas maneiras de prevenir este mal.
No caso de um grupo de mulheres ligados ao Estratégia de Saúde da Família do Belchior, o cambate a depressão se dá por meio de muitas linhas, agulhas e risadas. São mulheres que, reunidas em uma sala do Conseg do bairro, aprendem diversas formas de artesanato, criam verdadeiras obras de arte e também laços de amizade. O grupo não é apenas para pessoas que estão em depressão ou passaram por este problema; ele está aberto a qualquer um da comunidade que queira participar. Embora elas aprendam muito umas com as outras e também com várias mulheres do bairro, a partir de agosto uma professora do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) passará a ensinar novas técnicas para o grupo, que se reúne toda terça-feira a tarde. Móbiles, peças de crochê e tricô, chinelos bordados, telas com pintura, tudo isso é produzido pelas mãos destas mulheres do Belchior. A ideia agora é começar a aproveitar restos de tecido para fazer patchwork, como uma forma de usar a reciclagem para transformar restos em arte. Porém, há um obstáculo, o grupo de mulheres não possui uma máquina de costura e está a procura de uma doação.
A ideia foi da agente de saúde Lucinda Batista Schmitt, 57 anos, que enfrentou uma depressão profunda há poucos anos. “Eu já sabia fazer artesanato, mas não tinha vontade de fazer nada. Precisava fazer algo para sair de casa, então ia na casa de dona Bernadete Caglioni para aprender algum tipo de artesanato. De lá surgiu a ideia. Tive o apoio de todas as agentes de saúde e funcionários do posto para que não parasse de trabalhar e fui muito incentivada por eles, família e amigos”, conta Lucinda. Durante o tempo em que esteve doente, ela costumava participar de atividades desenvolvidas no CAPS, localizado na Margem Direita de Gaspar. Porém, era muito distante, o que também teve um grande peso no momento de criar um grupo no bairro para uma espécie de terapia ocupacional. Lucinda explica que o grupo não previne apenas a depressão, mas trabalha muito a mente, prevenindo também a doença de Alzheimer e é uma forma de as participantes se distrairem e socializarem. A ideia se implantou no bairro há aproximadamente dois anos e hoje conta com o apoio das Linhas Círculo, que doa as linhas utilizadas no artesanato.
“Nós, agentes de saúde, também temos o nosso estresse, então esta tarde de descontração é muito importante. Às vezes, as mulheres que estão com depressão ou outros problemas desabafam, então podemos dar uma orientação ali mesmo”, conta Sônia Maria Petry, 45 anos, outra agente de saúde que participa do grupo. Ela explica que o grupo de artesanato faz parte do trabalho de prevenção desenvolvido pelo ESF Belchior e que traz benefícios para toda a comunidade que deseja participar.
Outra integrante deste grupo é Caroline dos Santos Bibiana, 31 anos, gaúcha que hoje mora no Belchior. Ela conta que conseguiu se erguer da depressão profunda com muito apoio das agentes e outros profissionais de saúde do bairro. Ela havia ficado três anos afastada do trabalho devido a depressão, mas o apoio das agentes e a participação no grupo foram fundamentais para sua recuperação. Ela voltou a trabalhar, porém, há pouco tempo a empresa em que trabalhava fechou. “A primeira coisa que fiz foi voltar ao grupo de artesanato. Quando comecei, não sabia fazer nada, hoje sei fazer várias peças”, destaca. Ela mora no Belchior Central, porém as agentes de saúde a buscam em sua casa para a levar até o grupo de artersanato, que acontece no Belchior Alto. “Nunca fui tão bem recebida em um lugar como fui no Belchior, nem mesmo em meu próprio estado. E pelo apoio que recebo das pessoas daqui, posso dizer que a saúde do Belchior é a melhor que já vi”, afirma.
Caroline enfrentou a depressão, recuperou-se, porém não esqueceu dos tempos que passou enquanto estava doente. Ela conta que passava o tempo inteiro chorando, que não tinha vontade de viver. Hoje, é uma mulher bastante animada que não falta aos encontros do grupo de artesanato. Quem antes não sabia pegar uma agulha, agora é uma artista, como muitas das outras que se reúnem semanalmente na sala do Conseg.
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