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(Fotos: Júlia Dourado/JM)
Foram 14 anos de caminhadas pelas ruas do Poço Grande, de auxílio e conselhos às famílias que estavam em sua área de atuação e muito carinho à comunidade. Por isso, os moradores do bairro pediram para que Maria Lourdes Thomas da Luz, conhecida como Maria da Saúde, contasse sua história no JM.
O mês de julho provou ser muito importante para a vida dessa simpática senhora. Além de ser o mês do seu nascimento, é também quando ela iniciou a capacitação para ser agente de saúde em 1999 e, agora, será o mês em que ela irá se aposentar. Maria chega aos 60 anos neste sábado com a certeza de que lutará por melhorias na saúde ao lado da população do bairro, mesmo aposentada. Pode-se dizer que ela nasceu agente de saúde, pois desde pequena sentia a necessidade de ajudar quem passasse por dificuldades, principalmente se a pessoa fosse idosa.
Antes mesmo de estar capacitada, ela já costumava levar idosos do bairro ao médico ou então buscar remédios a quem precisava no posto de saúde ou farmácia. E de tanto se envolver na questão da saúde, Maria acabou convidada para ser agente de saúde quando o programa foi instalado em Gaspar, em 1999. Desde então, ela colecionou 23 certificados - um deles de uma capacitação de três anos e meio na área de geriatria -, passou por diversos cursos e turmas, mas sempre lembrará, com saudade, da primeira turma de agentes de saúde de Gaspar. “Éramos muito unidos e isso é mérito da enfermeira e coordenadora Dulce, que fazia a turma interagir e se integrar. Ela fazia dinâmicas de grupo onde surgiam novas amizades, além de transmitir um carinho muito grande para nós”, recorda Maria.
Ela está afastada do cargo de agente de saúde desde novembro do ano passado, mas é agora em julho que encerra este ciclo de sua vida. Por muitos anos, cobriu uma área de dois quilômetros de asfalto e mais toda a região da rua Pedro Schmitt. Conheceu de perto os problemas do bairro, os desafios que as famílias passam em seu cotidiano e percebeu o que precisava ser feito para melhorar a saúde e outros aspectos da população. “Quando precisarem de mim, estarei sempre à disposição. Eu devo isso para a comunidade que me acolheu tão bem quando cheguei a Gaspar, em 1994, vindo de Santa Rosa”.
Emoções
A vida de um agente de saúde é repleta de momentos emocionantes, entre eles, Maria destaca a emoção de duas conquistas para o Poço Grande. Uma delas foi a tubulação da rua Pedro Schmitt. “O esgoto corria a céu aberto, as crianças brincavam próximo às valas e muitas vezes o esgoto invadia as casas quando chovia muito. Vi um povo que é muito caprichoso tendo de viver em meio ao esgoto e isso me sensibilizou”, conta Maria.
Ela teve o apoio da secretária da Saúde da época, Julita Schramm, e de duas moradoras que foram à luta com ela: Marli e Conceição. Juntas, pressionaram vereadores e o prefeito até que a tubulação fosse implantada. A outra grande conquista foi o posto de saúde do bairro. Maria atribui o fato ao esforço da secretária de Saúde da época, Ivete Hammes, ao então prefeito Adilson Schmitt e ao presidente da Associação de Moradores do bairro Poço Grande. “A falta do posto era uma grande dificuldade encontrada pela população. Eles precisavam estar muito cedo no posto do centro e havia poucos horários de ônibus, então muitas vezes as pessoas precisavam ir ao centro de madrugada e acabavam voltando sem o atendimento médico”, relata Maria.
Por um ano, a associação teve de pagar o aluguel. Para isso, eventos eram organizados com frequência para arrecadar dinheiro. Hoje, o aluguel é bancado pela prefeitura. Maria da Saúde conta que se aposenta com apenas uma tristeza: não ter conseguido que fraldas geriátricas descartáveis fossem distribuídas gratuitamente para idosos e acamados.
“Só quem tem alguém em uma situação dessas sabe a importância das fraldas descartáveis”, destaca. Ainda assim, ela garante que continuará lutando, desta vez apenas não será mais agente de saúde.
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