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(Fotos: Jornal Metas)
Projeto ?Lutar, não brigar? desenvolve a capacidade de buscar metas
Sobre o tatame não estão apenas lutadores, mas também uma série de valores disseminados pelo professor João Carlos Maba, 57 anos. É no Kodokan Judô Clube, localizado na academia Longa Vida, bairro Sete de Setembro, que ele desenvolve o projeto “Lutar, não brigar” com crianças e adolescentes de 8 a 17 anos de diversas localidades gasparenses. Praticante do judô há 40 anos e professor há 34, ele tem ampla experiência no esporte e entende que sua filosofia de disciplina, respeito e comprometimento ajuda na mudança ou formação do caráter do praticante. “O objetivo do projeto é fazer com que aprendam que não é brigando que se conseguem o que querem, e sim lutando, no sentido de batalhar para alcançar suas metas”, explica.
A outra ideia de Maba é socialização de todos com a comunidade em que estão inseridos. O professor já percebeu mudanças em alunos que o acompanham desde o início quanto a este comportamento. Ele conta que alguns sequer cumprimentavam outros quando chegavam, hoje têm uma boa convivência e interação.
Os outros judocas, que não fazem parte do programa, mas estão na mesma aula, são adultos que costumam incentivar as crianças e adolescentes a se manterem no esporte. Embora alguns dos atletas do projeto já tenham participado de campeonatos, a formação de um campeão não é a proposta principal do projeto do professor Maba.
Ele tem muitos planos para o futuro do programa: pretende levá-lo até os bairros, principalmente aqueles marcados por maior índice de violência. “O esporte é muito forte na mudança de atitudes e construção do caráter. O judô, a escola e o acompanhamento psicológico são instrumentos que, juntos, podem fazer a diferença”, observa. Os benefícios da prática desta atividade física estão além do desenvolvimento de músculos e força. De acordo com o professor, o judô e sua filosofia ensinam os alunos a terem disciplina, educação, respeito às diferenças e limites em relação aos outros e a si próprio, além de responsabilidade, comprometimento, segurança, a exigir que seus direitos sejam respeitados e a controlar o comportamento. “A filosofia do judô é uma lição de vida. Se algo de errado acontece, uso o caso como exemplo para inserir o ensinamento da filosofia”, comenta o professor.
Conheça o “Lutar, não brigar”
O projeto “Lutar, não brigar” iniciou em março de 2010, mas somente este ano entrou para as atividades esportivas que recebem recursos do Fundo de Infância e Adolescência (FIA). Desde então, o projeto pode ampliar sua atuação na comunidade. As aulas são gratuitas e, caso não tenham condições financeiras para comprar um quimono, recebem também a roupa para usar nas aulas. No momento, o programa conta com 95 alunos, sendo que alguns deles moram nos três abrigos de acolhimento institucional que existem em Gaspar. A cada seis meses ou a cada ano, acontecem exames para a promoção de faixas, que no judô são marcas por cores. As provas avaliam a habilidade e conhecimento do judoca para decidir se ele poderá passar a um nível mais alto ou não. Os alunos do projeto também passam por este procedimento. Caso não tenha condições de pagar, a academia banca o valor do teste.
Você sabia?
O judô surgiu no Brasil por volta de 1922, através de Thayan Lauzin. O Conde Coma (Mitsuyo Maeda), como era conhecido, fez sua primeira apresentação em Porto Alegre. Partiu para as demonstrações pelos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, transferindo-se depois para o Pará, onde popularizou a arte.
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