a Imagem
Quem passa pela Rua Nereu Ramos, próximo à curva da Pizzaria Lavonte, observa a direita um espaço que um dia pretendeu-se que fosse uma praça. Aliás, o local tem até nome: Praça Egon Bohn, uma homenagem ao famoso musicista e ex-regente do Clube Musical São Pedro. O local hoje está em completo abandono, com o mato tomando conta de tudo.

ARTIGO
Os lares da classe média ao entardecer
O transito começa aumentar. Os números de carros multiplicam. A luz solar onde todos enxergam começa a ceder para as luzes de mercúrio onde poucos aproveitam para traçar estratégias. Aprendi a ser amante dos horizontes com os poetas onde começa a apreciar o mar ao entardecer e somente tira os olhos quando as últimas estrelas morre no céu.
Um membro da classe média sai do emprego. Passam na padaria onde compra queijo, iogurtes e requeijão para o lanche vespertino. Um dia se passou. O dia morre, porém ele mantém vivo seus sonhos perfectorios. Sabe que os êxitos finais são divididos em fragmentos compactados com o todo. A classe média entra campo, pois sabe que os sucessos no mundo moderno exigem preparação.
O retorno ao lar ao entardecer é um presente de quem suou cavando buraco a procura de tesouro. Entende que a solução total surge com parcelas de sacrifícios diários. Não é momentânea e nem mágica. É uma procura por tentativas. Em nossos sonhos nunca atingimos o alvo na primeira flechada. É necessário um rosário de tentativas. O perfeccionismo leva ao evolucionismo.
A classe media busca aperfeiçoamento no seu confronto com o sucesso. Sabe que deve haver uma reciprocidade entre os sonhos traçados e os passos dados. A procura do que desejamos devem ter a clarividência do sol. Devemos agir submersos com os nossos sonhos, mas se eles tornarem visíveis  devemos assumir com valentia e determinação de quem não tem o direito de errar. O dia é o lugar propicio para agir como escravo com nossos sonhos, pois somente assim seremos senhor dentro da realidade. Debruçar em horizontes inatingíveis costuma levar bem próximo de distancia imensurável.
E a classe média entendeu que busca infinita tem como resultados repertório mensurável de resultados positivos. Depois de um dia de batalha a classe media ao entardecer volta para o ninho. Restabelece e descansa para um novo dia. Mas quando chegar ao amanhecer tem que novamente bater asas. E rezar para que não apareça nenhum caçador em sua trajetória linear. Mas caso apareça tem que aprender a fazer acrobacias num céu congestionado de sonhos mútuos e excludentes.
A solução total surge com parcelas de sacrifícios diários.
Juarez Alvarenga
Advogado e escritor

Opinião
O sistema nos tira tudo
Acompanhei estupefata a cobertura da mídia sobre o dia primeiro de maio. Raríssimos jornalistas usaram a expressão “dia do trabalhador”. Para todo mundo, o histórico primeiro de maio, data que celebra a luta dos trabalhadores, decidida na Internacional Socialista em 20 de junho de 1889, em Paris, virou “Dia do Trabalho”.
Você aí que está lendo esse texto pode perguntar. Mas e daí? O que muda? E eu digo, muda tudo! O dia do trabalhador é uma invenção dos trabalhadores, coisa criada em meio às lembranças recentes dos conflitos em Chicago, em 1886, quando milhares de trabalhadores saíram às ruas lutando por 8 horas de jornada. Foi por desejo dos trabalhadores que esta data passou a ser um dia de referência de lutas, de combates, de batalhas por vida digna e contra o capitalismo predador, que destrói o homem e a natureza.
Pois o sistema capitalista, de um jeito ladino, foi realizando a transformação. De dia do trabalhador passou a ser dia do trabalho. E o que é o trabalho? O que suscita? Nada de lutas, nada de combates contra o capital, nada de conflitos de classe. Nada. É só um ato criador. O dia do trabalhador transformado em dia do trabalho esteriliza a gênese desta idéia que era de luta contra a opressão dos patrões. Dia do Trabalho é uma composição de classe, onde patrão e trabalhador se irmanam, afinal, os dois “trabalham”.
Mas, na verdade, na relação capital x trabalho, é o trabalhador o explorado, o que garante mais-valia ao patrão, o que garante o lucro, no mais das vezes exacerbado. E esta relação não é pacífica, é conflituosa, agônica.  Por isso causa profunda revolta ver os jornalistas, que deveriam ser os que informam com clareza os fatos, reproduzindo estas mentiras, estas armadilhas forjadas pelo sistema que oprime e destrói. Esse povo deveria estudar mais.
Reivindico a volta do dia do trabalhador, dia de luta, de combate. Dia de lembrar os tantos homens e mulheres que tombaram na batalha por uma vida plena. Dia de celebrar a capacidade de luta de todos aqueles que ainda estão amarrados a roda da mó do capital. Dia primeiro de maio é dia do trabalhador, esse ser que, prisioneiro de um sistema em que para que um viva o outro tenha de morrer, resiste e insiste na transformação.  Ainda há trabalhadores em luta por aqui, sim senhor!

Elaine Tavares
Escritora

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