Rubens dedicou 30 anos da sua vida à atividade

Rubens dedicou 30 anos da sua vida à atividade

O  bairro Lagoa fica distante 40km do mar. Assim mesmo é a morada de um famoso pescador. Um homem que por mais de 30 anos tirou o sustento para a família de dez filhos das águas do Itajaí-Açu. Seu nome é Alfredo Silva, mas ninguém o conhece pelo seu nome. Na infância, quando freqüentava a escola, uma professora o apelidou de Rubens Freitas e assim ele ficou conhecido.
Seu Rubens, 82 anos, é um homem miúdo de olhar vivo e muito ativo. Ele parou de pescar este ano depois que sua terceira bateira foi roubada. Ele diz ter perdido o gosto pela pesca pois as águas do rio estão muito poluídas e o gosto dos peixes muito diferente e desagradável.
Da profissão de pescador, Rubens tirou dinheiro para que todos os filhos frequentassem a universidade. Os peixes eram vendidos aos hoteis e restaurantes sofisticados de Blumenau. O robalo e o cascudo eram os preferidos pelos clientes de Rubens. Nos primeiros anos, os peixes, já limpos, eram levados de ônibus até a cidade vizinha e a passagem era paga com o a venda. Alguns anos depois, Rubens conseguiu comprar um carro e a logística ficou mais fácil. Sua esposa Maria foi sempre a grande parceira de terra e de rio, embora tivesse um pouco de medo do rio. A pesca era feita com redes, ou “armadilhas” como chama Rubens. Elas eram colocadas em vários pontos do rio sempre utilizando uma bateira a remo. Rubens colocava as redes durante o dia e à noite, depois que os filhos chegavam da faculdade, iam junto com o pai dar uma olhada e recolher as que estavam cheias.
No bairro, nos fundos de sua casa, existia um grande lago natural que também era fonte de peixes e de um produto cujos primeiros clientes de Rubens foram os chineses do restaurante de Blumenau: rã. Os orientais ensinaram o pescador a capturar e limpar o pequeno anfíbio que era capturado e vendido em grande quantidade. Mais tarde, as obras de saneamento secaram a lagoa e Rubens passou a se dedicar a pesca apenas no rio. Hoje, aposentado, o passo dia cuidando de algumas cabeças de gado e a relembrar os velhos tempos de pescaria.

Itajaí-Açu perdeu a magia
Rubens nasceu no bairro e sempre morou ao lado do rio. Sua fama de bom pescador e simpatia sempre trouxeram muitos pescadores de fim de semana para sua propriedade. Muitos deles eram homens influentes da sociedade do Vale.
Os pescadores acampavam na propriedade de Rubens e gastavam seu tempo livre capturando e preparando ali mesmo dezenas de peixes. Os laços de amizade eram tão fortes que os pescadores ocasionais viabilizaram para Rubens uma das primeiras ligações elétricas do bairro. Hoje, Rubens diz o Itajaí-Açu perdeu a magia. Segundo ele, depois das enchentes de 1983 e 1984 o rio nunca mais foi o mesmo. As águas estão cada vez mais sujas, os peixes que existiam antes são raros e de gosto duvidoso devido a poluição.
“Foi-se o tempo em que a água era transparente, os peixes limpos e abundantes”, lamenta o pescador. Para ele fica a lembrança dos bons tempos e a gratidão ao  “velho rio” que por muitos anos lhe garantiu o sustento.

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