Vitório Fantoni foi um dos primeiros a viver no Bateias

Uma das primeiras famílias a povoar o bairro Bateias foram os Fantoni. Vindos da Itália, juntamente com outras famílias de sobrenome italiano e hoje tradicionais na localidade, os Fantoni se estabeleceram em uma terra ainda coberta por mata virgem, na qual construíram suas casas para dar início ao povoamento da inóspita região.
Vitório Fantoni, filho de um desses desbravadores italianos, já nasceu em terras gasparenses e foi dono de um extenso pedaço de chão no bairro Bateias (antigamente, toda a região era chamada de Bateias). Tanto que por ali passa uma rua com seu nome, uma justa homenagem, diga-se de passagem. Na localidade, vivem dois de seus netos e alguns bisnetos. O restante da família se espalhou pelo Vale do Itajaí.
“Quando meu bisavô chegou aqui, era tudo deserto, só mato. Fizeram a estrada cortando as árvores e abrindo picadas. Muitos anos depois, quando vieram fazer as valetas aqui e remexeram a terra, encontraram os tocos e raízes dessas árvores”, conta Elza Roncáglio, uma neta de Vitório Fantoni que ainda mora no bairro. Ela conviveu muito com o avô e lembra-se dele com carinho. “Acho que eu era uma de suas netas preferidas”, admite.
O agricultor descendente de italianos teve seis filhos - três mulheres e três homens - com a esposa Teodora Maurício. De poucas posses, a vida do casal foi marcada por muito trabalho, bem como de toda a família. Teodora foi uma mulher muito doente e contou sempre com a ajuda da filha Maria, a mãe de Elza. Até uma irmã de Elza viveu por muitos anos com os avós, para cuidar deles.
Elza teve um convívio muito próximo com o avô. Sua mãe era a filha que morava mais próximo da casa dele, e foi quem cuidou de Fantoni até o fim de sua vida. “Ele era um homem muito bem visto na comunidade. Era seguro, inteligente, atencioso e carinhoso”, descreve a neta, com orgulho. Como o avô era analfabeto, Elza lia para ele quase todos os dias. E ele contava aos amigos como a neta tinha a capacidade de decorar textos e declamá-los.
Segundo Elza, o avô vivia em uma casa bem simples, cujo telhado era de palha. Trabalhou durante toda a vida na roça, plantando de tudo um pouco. “Até arroz a seco ele plantou por essas terras”, recorda a neta. Mesmo com as suas próprias dificuldades, Vitório Fantoni nunca deixou de ajudar a quem necessitasse. Por isso era uma pessoa muito solicitada na pequena comunidade.
Tudo o que ele produzia era para a subsistência da família e para doar aos mais pobres. “Meu avô tinha engenho onde fazia farinha de cana e melado, que distribuía para o povo que morava na redondeza”, conta Elza. A família dela também plantou fumo durante 25 anos.
Foi Vitório quem doou um terreno para a construção da segunda escola da comunidade, que durou mais de 20 anos. E, mesmo depois de falecido, sua propriedade continuou servindo à comunidade, pois a neta Elza vendeu boa parte de seu terreno para a construção do atual prédio da Escola de Educação Básica Luis Franzoi. “No início, eu não queria vender a propriedade. Mas, como era para benefício da comunidade, meu pai e eu decidimos aceitar a proposta da prefeitura”, revela, demonstrando que aprendeu com o avô a pensar em benefício da comunidade.

Herança
Vitório Fantoni faleceu aos 85 anos. Deixou, além dos seis filhos, quase quarenta netos, muitos bisnetos e um legado de vida que serve de exemplo para toda a família Fantoni. Suas terras foram divididas entre os herdeiros, que, aos poucos venderam suas partes. Só Elza permaneceu com a herança da mãe. Mas, com o passar do tempo, também vendeu pedaços do terreno, para juntar dinheiro e construir uma casa nova para as duas morarem.
Hoje, Elza vive com um irmão na mesma casa e guarda na memória, com carinho, as lembranças do seu avô e a história de toda a família.
 

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