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(Fotos: Julia Dourado/JM)
“Ser mãe é amar sem medidas, doar-se sem restrições”.
É assim que dona Valéria Cadore, de 78 anos, descreve a maternidade. Ela é mãe de cinco filhos, a quem ela se refere com diversos adjetivos. Pelas palavras da mãe, Raquel é muito perfeccionista, Jorge é muito trabalhador (“Se o dia tivesse 25 horas, ele trabalharia as 25 e acharia pouco”), Rosana é elétrica, Maria Helena é carinhosa e exagerada e Ieda é a que mais se diferencia pela personalidade por ser calma e ponderada. Houve ainda Denise, uma criança que faleceu de pneumonia com apenas um ano de idade. Além dos filhos, oito netos e um bisneto formam a grande família Cadore, conhecida no bairro Barracão.
“Existem muitos obstáculos e desafios, mas os maiores são dar educação, religião e manter a família unida. E, graças a Deus, minha família é muito unida”, destaca dona Valéria. Ela nasceu no Barracão e foi também no bairro que conheceu seu marido, Leonídio, já falecido. Ele era de Itajaí e costumava vir a Gaspar para participar de torneios de futebol e foi na praça do bairro que se conheceram. Após um ano de amizade, iniciou-se o namoro, que se transformou em casamento e também em uma história de amor e cumplicidade, em que todos os momentos e detalhes são lembrados com carinho. “Ele foi minha segurança, meu companheiro, um amigo apaixonado. Toda semana ele roubava um botão rosa do nosso jardim e me trazia”, relembra. Após o casamento, o casal se mudou para Itajaí, onde morou por 16 anos. Dona Valéria sempre sonhou em voltar a morar no bairro, o que só aconteceu devido a um triste acontecimento: a morte de sua mãe.
Dona Valéria é conhecida por todos devido sua atuação na comunidade e na igreja. Foi professora durante 30 anos, por isso muitos dos moradores do bairro já passaram por suas salas de aula. Quem não aprendeu com ela o bê-a-bá, aprendeu mais sobre a religião católica. Ela foi catequista dos 18 anos de idade até ano passado, mas garante que em 2014 estará de volta. “Tive uma boa fundamentação católica e o que não sei pergunto para o padre, para o seminarista ou pesquiso. Nunca encontrei dificuldades nas aulas de catequese, até porque as crianças já vinham de famílias com educação católica, o que torna mais fácil ensinar e dar o exemplo. Sinto-me muito emocionada quando vejo as crianças tomarem a primeira comunhão, é um sentimento que não dá pra explicar”, conta simpática senhora.
Nos fundos de casa, ela cultiva um campo de antúrios, onde costuma se sentar ao lado de sua neta Ester (foto), que sonha em ser modelo. A menina não economiza nas piadas para fazer a avó rir. “Sou muito feliz com meus filhos, minha comunidade e minha religião”, declara a avó.
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