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(Fotos: Jornal Metas)
Campanha de uma pet store propõe que as pessoas adotem um cão
Os leitores assíduos do Jornal Metas certamente conhecem a história de Paulo e Sandra Estevão. O casal adota cães de rua desde que o seu cachorro foi morto por um vizinho, na casa que eles viviam no bairro Santa Terezinha. Hoje, eles abrigam, em sua propriedade no bairro Lagoa, 42 cães adultos e sete filhotes. No mês passado, o total de cães passava de 50, mas alguns morreram em função de uma virose.
Paulo é aposentado, mas para reforçar a renda trabalha como zelador na Escola de Educação Básica Vitório Anacleto Cardoso. Sandra é merendeira no CDI Natália dos Santos. O dois tem um filho adulto que, em breve, voltará a morar com eles e seus cães e gatos. Todos gostam muito de animais e zelam por eles com muito carinho.
No entanto, a renda do casal é pequena para cuidar de tantos animais abandonados. Para mantê-los saudáveis e bem cuidados, Sandra e Paulo deveriam vaciná-los. Só não fazem isso por falta de condições para pagar pelas vacinas. Outro cuidado que eles precisam ter é com a procriação, para evitar que se forme uma população de cães da qual eles podem não dar mais conta no futuro. Por isso, os cães, tanto machos quanto fêmeas, precisam ser castrados.
O preço da castração varia de acordo com o peso dos bichos. Em média, uma castração custa em torno de R$ 300,00 para as fêmeas e R$ 150,00 para os machos. O casal não tem condições de custear essas cirurgias.
Preocupados em ajudar o casal, os proprietários da pet store Mania de Bicho iniciaram uma campanha para reunir voluntários. Eles encontraram veterinários dispostos a colaborar e que fariam a castração dos cães a um custo mais baixo (algo em torno de R$ 40,00 para machos e R$150,00 para as fêmeas). Mas, como se trata de mais de 40 cães, o casal dificilmente conseguiria pagar essa quantia.
“Decidimos propor duas alternativas: a pessoa pode simplesmente doar ração e outros materiais para ajudar na criação dos animais, ou pode adotar um deles à distância”, revela João Philipps, proprietário do pet store que está organizando a campanha. A adoção consistiria em auxílio nas despesas do cão, que permaneceria na casa de Sandra e Paulo. A pessoa que adotou o animal poderia visitá-lo quando quisesse.
Com os filhotes será feita uma feirinha, para doação. “Os adultos não conseguimos nem pensar em doar, pois já temos um amor muito grande por eles”, afirma Paulo. O casal, sempre que doa um cão, é muito preocupado em saber para quem estão dando e se o novo dono cuidará bem dele. “Não queremos doar e daqui um tempo encontrá-lo jogado de novo no meio da rua”, diz Sandra, sensibilizada.
Assim, a tendência é o número de cães aumentar, apesar de o casal garantir que não aceita cachorros cujos donos não querem mais porque estão velhos. “Não consigo entender como uma pessoa pode largar um cão depois de viver com ele tantos anos, só porque está velho e quer comprar outro”, diz Sandra. A única exceção foi para uma família que iria se mudar de casa para apartamento, e não tinha como levar os bichinhos. Então, os cães ganharam um espaço entre os muitos habitantes da propriedade, mas continuam pertencendo àquela família, que ajuda a custear as despesas.
Outra forma de ajudar seria com a doação de ração, panos ou cobertores para servirem de cama para os animais, além de material de limpeza em geral, sarrafos para cercar o canil e madeira para fazer as casinhas. Paulo e Sandra estão em casa todos os finais de semana e garantem que estão sempre abertos a receber visitas e doações. Eles só não aceitam doações em dinheiro, para que não se crie desconfiança a respeito do trabalho comunitário que eles realizam. “Eu trabalho, ganho meu salário. E se depois eu resolvo trocar de carro e o povo fica pensando que eu tirei proveito dos meus cachorros. Não, eu só aceito doação de material”, declara Paulo.
O casal pede que quem estiver interessado em fazer outro tipo de doação, adotar um cão, ou obter mais informações, procure o pessoal do pet store Mania de Bicho. O telefone é 3332-7654.
O melhor amigo do homem se a recíproca for verdadeira
Todos os dias, quando chega do serviço, Paulo limpa o canil. Em cada casinha vive um ou dois cães. Os machos ficam todos separados e as fêmeas dividem espaço entre elas, ou com machos que se dão bem. Depois de tudo limpo, Paulo troca a água e serve a ração - cães recebem uma refeição diária. Sandra chega mais tarde e fica principalmente com o serviço da casa.
Em um caderno, o casal anota as informações de cada cão: nome, idade, história de como encontraram cada um e, no caso das fêmeas, o período em que estão no cio. “Quando elas entram no cio, nós as separamos do canil para que os machos não fiquem muito alvoroçados, e para que não tenha risco delas engravidarem”, explica Sandra.
Quando um deles fica doente, o casal cuida com muito amor. “Se for preciso levantar de madrugada para dar o remédio ou cuidar do animal doente, a gente levanta”, conta Paulo. E aos sábados, Sandra sempre faz uma sopa para os cães comerem. Assim, o casal vai tomando conta de tudo sozinho.
Muitos cães que hoje estão sob a guarda do casal Estevão carregam marcas de tristes histórias de maus tratos e abandono. Um deles estava jurado de morte por traficantes de um bairro de Blumenau. “Uma moradora ligou e avisou que estavam querendo matá-lo, porque cada vez que passava a moto com a droga ele saía correndo latindo atrás”, diz Paulo.
Outro cachorro ficou três dias amarrado a um ponto de ônibus, até que foi resgatado pelo casal. “Muita gente avisa quando tem um cão abandonado, então vamos buscar”, explica Sandra. E o caso mais recente foi de uma cadela grávida que eles encontraram atropelada no meio da rua. “Trouxemos para casa, salvamos a vida dela, e os filhotes nasceram aqui”, conta Sandra.
Todo esse cuidado é movido pelo amor aos cães. “Nossa família é contra o que fazemos, eles acham que deveríamos estar ganhando dinheiro com isso. Mas o que a gente faz é por amor”, diz Sandra. Ela conta que no ano passado enfrentou um câncer de pele e, muita da sua força para enfrentar a doença veio dos bichinhos. “Às vezes eu chegava em casa, sentava na grama e chorava. E eles ficavam todos ao meu redor”, lembra ela. Uma relação que mostra o quanto o cão pode ser o melhor amigo do homem, se a recíproca for verdadeira.
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