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No entanto, ao passar por este desafiante caminho, o que se encontra é um ambiente de muita tranquilidade, onde o verde é o tom dominante. É justamente a vida pacata e o contato com a natureza que encantam os moradores do local. "Criei-me aqui. Tenho o sonho de uma casa na praia, mas só para passear, nunca deixaria o Gaspar Alto, apensar das dificuldades, como o pó e o acesso ao bairro", conta Wilson Eringer, 46 anos. O aposentado conta que tem uma namorada em Blumenau, que trabalha no bairro Garcia e está tentando convencê-la a morar com ele no Gaspar Alto, porém tem encontrado resistência por parte dela, justamente por se tratar de um local mais afastado.
Há ainda outras situações do bairro que precisam ser revistas, de acordo com o morador. Uma delas está relacionada ao ônibus e também às estradas que levam ao bairro. "Há poucos horários de ônibus e só temos como ir a Blumenau, porque no acesso de Gaspar é muito estreito, não passa ônibus. Se preciso ir para Gaspar, tenho que pegar o Santa Terezinha até Blumenau e então o Verde Vale para Gaspar", ressalta o morador. Outra reclamação é quanto ao serviço dos Correios. Ele conta que as cartas nunca chegam à caixa comunitária e que, há um ano, espera um cartão de seu banco, que viria pelos Correios. Quanto a contas, ele prefere ir a Blumenau pagar diretamente no estabelecimento, pois o carnê nunca chega.
Além do verde, outra cor que se destaca é o marrom, cor da poeira que cobre as casas e que levanta alta cada vez que um carro passa. "Ontem mesmo, lavando meu carro, fiquei irritado e desisti. Limpava de um lado e quando via, o outro já estava sujo", reclama Acendino Mafra Filho, 66 anos. Sua mulher, Alzira Mafra, 64, ainda reafirma: "O Gaspar Alto é muito bom, sem esta poeira. De uns cinco anos para cá, muita gente se mudou para o Gaspar Alto. O que significa mais carros, caminhões e também mais poeira", desabafa.
Natural de Brusque, ele era acostumado com as facilidades que já podiam ser encontradas nas cidades. Acendino conta que, quando chegou ao bairro, levou um tempo para se acostumar, pois o local era praticamente isolado. Ele se mudou após o casamento, há 43 anos, e viu o desafio que era viver no local. As estradas eram piores, não havia ônibus e ele tinha que ir a Blumenau para trabalhar, pois não havia empresas no bairro. "A vantagem é que não tinha poeira, porque passava um carro hoje e outro só na semana que vem", ri o morador. Com a casa construída um pouco acima do nível da estrada, ele e a mulher veem a poeira subir e tomar conta da casa.
De acordo com Acendino, a pavimentação é assunto desde que ele se mudou para o bairro e agora, com uma população maior e empresas abrindo no local, torna-se muito necessário que exista algum tipo de calçamento, tanto para a saúde dos moradores quanto para o progresso dos estabelecimentos. "Existe muita coisa para melhorar, assim como em qualquer bairro. Mas o asfalto é prioridade", enfatiza.
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