O terreno da Furb
Toda vez que se fala em mudar o centro administrativo municipal, levantam-se vozes a favor e contra. Há quase dez anos foi assim, quando a administração petista tentou comprar o prédio da Bunge, no Poço Grande, inclusive abrindo um processo de desapropriação. Coincidência ou não, o valor do negócio se assemelha ao do terreno da Furb. Na época, o Executivo recebeu da Câmara Municipal autorização para comprar o imóvel por R$ 13 milhões, assim como aconteceu na noite de quinta-feira (28) com o terreno da Furb, autorizada a sua compra por R$ 14 milhões. A diferença é que a aqusição do prédio da Bunge seria em parcelas menores que os gastos mensais com alugueis na época - cerca de R$ 80 mil. O negócio não vingou e a Bunge (hoje JBS) voltou a ocupar a edificação. No caso do terreno da Furb, não se discute o valor do metro quadrado, mas a finalidade. Não é pelo fato da Prefeitura ter economizado que vai sair por aí comprando tudo que se oferece. Se de fato essa é uma necessidade, então que se discuta mais, principalmente com as entidades empresariais, o que se pretende colocar em cima do terreno. A CDL, por exemplo, demonstra preocupação com um possível esvaziamento da região central da cidade com a saída de parte da estrutura da Praça Getúlio Vargas. Portanto, para que não se repita o que ocorreu, por exemplo, com o prédio do Besc, o correto é o Executivo discutir com a comunidade o aproveitamento da área. Agora, se a Furb tem pressa em vender por conta das suas dívidas, Gaspar não tem nada com isso. Afinal, o que os municípes não querem é que se descubra mais tarde que a área não serve para a finalidade a qual foi adquirida, pois certamente os que hoje defendem a compra não irão aparecer para explicar o injustificável.