Multa para faltosos?
Não nos parece ser a melhor saída multar os cidadãos que não comparecem para tomar a vacina contra a COVID-19. Esta é a proposta, em forma de projeto de lei já aprovado em primeira votação, do vereador Bruno Cunha (Cidadania), de Blumenau. Evidente que se negar a tomar a vacina é um ato de anticidadania, de desrespeito para com a vida, mas é um direito que cabe à pessoa. Existem outras formas de convencer a população da necessidade de todos se vacinarem, mexer no bolso é um apelo forte, mas não resolve.
Há, ainda, a se considerar os motivos que levam uma pessoa a não tomar a vacina, e isto pode ser perfeitamente aceito. Inclusive, sabe-se que muitos idosos não se vacinam por opção da família e não deles. A Prefeitura de Blumenau, portanto, vai perder tempo, dinheiro e pessoas na fiscalização de algo que nos parece muito mais teatral do que efetivo. É mais uma lei, como a da multa para quem não usa máscara em local público, que não vai vingar. Ao invés de se perder na ficção, os governos municipais e os próprios legisladores deveriam se unir para pressionar o governo federal a enviar mais vacinas, para se chegar o mais rápido aos grupos prioritários. E aí nos parece que os resultados da Campanha Nacional de Vacinação são muito mais palpáveis que uma lei punidora. Nada a se comemorar, é bom dizer, mas é fato que os números da pandemia vêm caindo dia a dia, e não se trata do fim de uma onda, mas a imunização em massa, algo que já se previa, quando a pandemia iniciou, como única forma de se controlar o vírus. Se o país continuar avançando na Campanha Nacional de Vacinação, os poucos que se negam a tomar a dose serão tão poucos que em nada poderão prejudicar e se perderão na poeira das suas próprias decisões.