A má distribuição de renda
O IBGE divulgou nesta sexta-feira (24) os rendimentos per capita do Brasil e dos estados em 2022. Na média nacional, o valor mensal foi de R$ 1.625 por domicílio. A conta para se chegar a este valor é simples. Soma-se toda a renda bruta recebida por cada morador de uma residência e divide-se pelo número de pessoas no domicílio. Estão inclusos pensionistas, empregados domésticos e familiares dos empregados domésticos. O resultado mostra uma elevação significativa, pois em 2021 este valor foi de pouco mais de R$ 1.360,00, ou seja cresceu 18%. Melhorou a vida dos brasileiros? Não. O crescimento foi apenas na ponta de cima. O Sul, Sudeste e Centro-Oeste continuam concentrando cada vez mais riquezas em detrimento do Norte e Nordeste. Existe, portanto, uma flagrante má distribuição de renda no Brasil. No Distrito Federal, por exemplo, a divisão per capita foi de R$ 2.913. Em São Paulo R$ 2.148, enquanto no Rio Grande do Sul e Santa Catarina foi de R$ 2.087 e R$ 2.018, respectivamente.
No mapa das desigualdades, as regiões Norte e Nordeste estão bem atrás. No Maranhão, por exemplo, a renda per capita não chegou a R$ 1 mil (R$ 814), assim como em Alagoas (R$ 935) e no Amazonas (R$ 965). Na Bahia e Pernambuco foi de R$ 1.010. Ou seja, na maioria dos estados do Norte e Nordeste o valor por morador é menos da metade na comparação com os estados do Sul e Sudeste. O grande desafio dos governos é tornar essa distribuição de renda mais equilibrada, mas a equação é de difícil solução, pois requer muito investimento em educação e qualificação de mão de obra. Os governos, por enquanto, ainda continuam dando muito mais o peixe do que ensinando a pescar.