Uma medida retaliatória desproporcional contra o Brasil
Se algumas questões fundamentais para a economia brasileira forem politizadas, a grande derrotada será a Nação. A recente decisão dos Estados Unidos, por meio do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), de ameaçar o Brasil como novas sanções e taxações nos parece muito mais uma medida retaliatória do que propriamente uma vantagem econômica.
Não existe embasamento econômico no relatório produzido. Os Estados Unidos mantêm, há muitos anos, uma balança comercial favorável em relação ao Brasil. Ou seja, nós importamos mais do que exportamos para os norte-americanos.
A alegação de que o Pix é uma “prática desleal” é um ponto controverso.
O Pix é amplamente reconhecido internacionalmente como um caso de sucesso absoluto em bancarização e eficiência digital. Classificá-lo como “prejudicial” a operadoras de cartão de crédito norte-americanas soa menos como defesa do livre mercado e mais como proteção de oligopólios norte-americanos contra a inovação soberana de outros países.
A ameaça de taxar 25% das exportações brasileiras (atingindo 21% do que vendemos para lá) é uma retaliação pesada, típica da política externa de Donald Trump, que prioriza o America First (América primeiro) em detrimento de acordos prévios. O governo brasileiro está correto em defender o Pix e a soberania de suas instituições financeiras, e a reação americana parece desproporcional. No entanto, o Brasil terá até 15 de julho para usar a diplomacia técnica (via MDIC e Itamaraty) para tentar reverter ou suavizar essas tarifas, pois uma guerra comercial direta com os EUA traria custos severos para a economia brasileira.